A vida dos imigrantes brasileiros na Europa e nos EUA em 2017

Desde a posse de Donald Trump nos Estados Unidos os imigrantes no país vivem dias mais tensos. Uma visita à corte local pode determinar uma deportação, pois os oficiais de imigração nos EUA agora adotam a tática, amplamente noticiada por toda a imprensa de lá, de esperar os indocumentados no dia em que se apresentam para resolver uma questão de trânsito, como dirigir sem carteira do estado onde residem.

Na realidade, conforme números oficiais, os EUA deportaram muito mais no governo do democrata Obama do que no governo do republicano Bush. E a escalada deve aumentar devido ao posicionamento radical de Trump já nos tempos da campanha: “se são ilegais, aqui não deveriam estar”, é a posição defendida por sua base eleitoral e pelo próprio mandatário.

Na Europa a onda anti-imigrante se materializou no Brexit, que busca fechar o Reino Unido ao resto da Europa, e nos discursos da candidata perdedora na França, Marine Le Pen. Os tempos são outros. Os imigrantes brasileiros têm que entender que se antes eram mão de obra necessária e desejada, agora ter documentos em dia é questão de permanência e sobrevivência tanto nos EUA quanto na Europa.

Leis que antes eram deixadas de lado, em nome de uma necessidade de mercado, agora são aplicadas, e mesmo desafiadas em cortes superiores por advogados de imigração estão sendo mantidas. A proibição da entrada de muçulmanos nos EUA ganhou destaque internacional como “travel ban”, inicialmente feriu direitos de portadores de green card e, depois foi reeditada, o governo Trump lutou nos tribunais inferiores estaduais para mantê-la, perdeu em alguns, mas ao chegar à Suprema Corte essa semana teve a garantia de que é valida, embora não possa tirar direitos de que têm laços com o país.

O julgamento do mérito ficou para outubro, porém o governo fica com gosto de vitória com a Suprema com maioria republicana (5 a 4). O membro mais recente a tomar posse na Suprema, o juiz Neil Gorsuch, foi indicado pelo próprio Presidente Trump e assumiu em abril passado.
A esperança dos cidadãos brasileiros com passaporte italiano no Reino Unido depende das negociações do Brexit. A atual primeira-ministra Theresa May tem acenado com garantias para estes, mas os demais membros da União Europeia não parecem convencidos. O Brexit deverá se efetuar em 2019, até lá o passaporte italiano vai garantir a entrada e a residência no Reino Unido, mas e depois?
André Abreu
Professor de Língua Inglesa (Certificado de Proficiência pela Universidade de Michigan) e Língua Portuguesa, Estudante de Pós-Graduação em Relações Internacionais.
Tradutor/intérprete de inglês.