Antonio Gavazzoni deixa o Governo do Estado

Antonio Gavazzoni não é mais o secretário de Fazenda de Santa Catarina. Titular da pasta ele entregou o cargo nesta manhã. Em nota oficial divulgada à imprensa, Gavazzoni alega não ter forças para seguir comandando os técnicos da Secretaria. A decisão, informa o secretário, é de cunho pessoal e tem apoio de Raimundo Colombo e do presidente do PSD Gelson Merísio.

Natural de Xanxerê, formado em direito e doutor em Direito Público, Gavazzoni era apontado como o Homem Forte de Colombo. Ele entrou no governo em 2007 quando ficou durante dois anos como secretário de Estado da Administração. Entre 2008 e março de 2010 foi para a Fazenda. Em janeiro de 2011 assumiu as presidências da Celesc Holding e suas subsidiárias integrais, Celesc Distribuição e Celesc Geração, onde permaneceu até dezembro de 2012. Reassumiu a Fazenda em 2013.

A decisão de deixar o governo vem depois de mais uma delação premiada fazendo referência a Gavazzoni como o operação de propinas encaminhadas as campanhas de Raimundo Colombo em Santa Catarina. A primeira foi a da Odebrecht. Agora foi a vez da JBS reafirmar que houve repasses de propina, camufladas como doação e dinheiro vivo para Colombo. Uma virtual privatização da Casan, seria a moeda de troca. Governo, claro, nega.

Confira nota de Gavazzoni:

Nesse tempo em que fui secretário de Estado e presidente de estatal me concentrei sempre em enfrentar problemas e crises. Nunca fui seduzido por assuntos que gerassem publicidade positiva, como inaugurações ou festas políticas.Zelei cada dia pelo interesse público, trabalhei dando toda minha força, energia, conhecimento e capacidade para enfrentar grandes problemas públicos, desde a crise econômica e climática de 2008, depois à frente do grupo Celesc e, sobretudo, na Secretaria da Fazenda nestes últimos anos da pior crise econômica que o país e o Estado já viveram em toda sua história.

Vencemos por não aumentar impostos nem atrasar salários.Se isso tivesse ocorrido, a Segurança, a Saúde e a Educação teriam entrado em colapso, como aconteceu em vários estados. O progresso econômico e social estaria severamente comprometido.Porém, apesar de todo meu entusiasmo pelas missões públicas, neste momento não tenho forças para seguir comandando os homens e mulheres de grande capacidade técnica que pertencem aos quadros da Fazenda.Não vou descansar, mas me dedicar a mostrar a cada pessoa que confiou em mim ao longo desses 11 anos, que nada do que foi dito por criminosos confessos é verdadeiro.

Todos os encontros narrados foram presenciados por terceiros que testemunharão para esclarecer a verdade. Os heróis brasileiros em que se transformaram os Procuradores da República e os Magistrados sabem e saberão julgar aqueles com quem lidam. Esses criminosos confessos, que buscam a qualquer preço montar versões que justifiquem a troca de penas alongadas por liberdade e vida milionária no exterior, não podem vencer.

Na nossa vida tudo tem um limite. A minha enérgica disposição para enfrentar problemas no Estado encontrou o seu: os dois fatos envolvendo questões eleitorais, injustas e improcedentes quando citam meu nome e, por isso, doloridas. Abro mão do foro privilegiado porque nada temo. Agradeço ao governador Raimundo Colombo pela confiança e amizade recíprocas, bem assim a todos os colegas de Governo. Tenho Deus por testemunha de minhas palavras e, mesmo passando por tudo isso, só agradeço às amizades e simpatias que conquistei.