“Brasil precisa da agenda que eu fiz em 1990”, afirma Collor

Ex-presidente e Senador por Alagoas, Fernando Collor de Mello fala na Difusora sobre sua condição de pré-candidato. “O Partido em Reunião decidiu que talvez fosse melhor não ser presidente e soltou uma nota, mas eu continuo pré-candidato e lá na frente vamos definir essa condição, mas ainda sou pré-candidato sim. Se não for ficou no senado porque meu mandato tem mais quatro anos”.

Collor falou que hoje está amadurecido e esclarecido pelo sofrimento que passou na vida pública. “Mas também pela experiência de Gestão. Acho que minha participação nesse processo pode ajudar nos debates com os demais candidatos”. Para o ex-presidente o momento é o mais delicado da história política do Brasil. “Sobretudo pela desesperança, pela mágoa que o brasileiro tem da política. De 45 a 55% do eleitorado ou não vota ou anula seu voto. Ou seja, metade do eleitorado não quer participar. Essa não é a atitude mais inteligente, porque o voto é a melhor opção para encontrar uma saída para a crise que enfrentamos”.

Collor falou sobre o que o Brasil precisa para sair do buraco na avaliação dele. “Acho que precisa da agenda de 1990, de abrir o mercado de fazer as reformas necessárias para enxugar o Estado, fazer a reforma previdenciária, a reforma tributária, incentivar o empresário e não penalizá-lo”

O ex-presidente também fez questão de reafirmar as principais ações de seu governo. “Além da abertura do mercado, criamos a lei de direto do consumidor, a lei do SUS, avançamos na economia, criamos as escolas de tempo integral. Houve sim muito avanço no meu governo e muitos precisam ser retomados. Precisamos de um estado mais leve e não esse mastodonte”.

Collor também falou de impeachment. “Fui afastado da presidência na suposição de que as acusações eram verdadeiras. Só que dois anos depois, a mais alta corte do país me declarou inocente. Ninguém me devolveu os dois anos e meio de Governo. Os fatos comprovam que houve uma injustiça brutal e que nunca foi reparada. Foi um período de sofrimento que me ensinou e me fortaleceu”.

E sobre o famoso rapa nas cadernetas de poupança. “As pessoas entenderam de forma equivocada. Foi uma batalha de comunicação que perdemos. Não houve confisco ou sequestro. Devolvemos cada centavo corrigido. Aquilo não foi uma ideia minha e só eu que achava isso. Todos os candidatos, se fossem eleitos, fariam o mesmo. Estávamos com uma inflação de 83% ao mês. Com a inflação deste tamanho vivíamos um excesso de liquidez e tínhamos que congelar os preços e restringir o dinheiro do mercado, porque se congelasse os preços e mantivesse dinheiro no mercado iríamos quebrar as indústrias. Mas não atingimos os pequenos poupadores, 90% da população não foi atingida, mas essa foi uma guerra que perdemos”