Em audiência pública comunidade perde permanência de Cooperativa

Mais de 500 pessoas compareceram à Audiência Pública organizada pelo Legislativo de Criciúma, que ocorreu na noite desta quinta-feira (7/6), no Salão de Festas do Bairro Morro Estevão, em Criciúma. O objetivo foi discutir a manutenção ou troca da empresa fornecedora de energia elétrica para a região agrícola. A iniciativa é do Legislativo, por meio dos vereadores Ademir Honorato (MDB), Geovana Benedet Zanette (PSDB), Tita Beloli (MDB) e Miri Dagostim (PP), e aprovada por unanimidade pelos parlamentares. Os moradores, cerca de dois mil consumidores, são contra a migração dos serviços da Coopera – onde são associados-, para a Celesc. De acordo com os mesmos os impactos serão de 40% a mais na fatura de energia com a migração. A Audiência foi comandada pelo presidente da Câmara, vereador Julio Colombo (PSB).

A área abrange a região agrícola de Criciúma seguindo o lado esquerdo da Rodovia Luiz Rosso, a partir do 28º GAC até o Bairro Quarta Linha e parte da BR-101 – nas localidades de São Domingos, Vila Maria e Espigão da Toca, abrangendo ainda outros 900 consumidores da região do Bairro São Sebastião, além do Bairro Montevidéo.

A moradora do Bairro Morro Estevão, Valdina Dagostim, relatou que todos estão muito unidos. “Dessa reunião vamos ter outros encaminhamentos, se não for por via política, por judicial. E o povo quando quer ele consegue”, frisou.

O empresário Valdelir Biff falou dos impactos, caso seja concretizada a mudança. “O impacto não vai ser só pela parte comercial da empresa, mas também ao consumidor final. A partir do momento em que temos os custos efetivados, não estamos preparados para desembolsar o diferencial que tem de uma tarifa para outra. Se a migração ocorrer para empresários vai acarretar desempregos e, para as famílias maior desembolso, o que não estão preparadas para isso”.

Fabio Valentim, chefe de departamento da Celesc, mencionou o motivo de alguns moradores serem transferidos. “Foi definido, em 2006, que alguns consumidores seriam transferidos da Coopera para a Celesc. Estamos descumprindo um termo de acordo e isso gera uma situação de risco. Já fomos alertados sobre o risco de termos elevadas penalidades até mesmo intervenção na concessão. Essas modificações estão ocorrendo em todas as cooperativas do Estado de Santa Catarina, e a Coopera é uma delas. Não é fácil e a Celesc entende a situação, mas tem aspecto legal e contratual que precisa ser cumprido”, relatou Valentim.

Enaldo dos Santos, gerente regional da Celesc, também esteve presente e ressaltou também o motivo da mudança. “Acho que a Celesc está fazendo o papel dela, e quem define é a Aneel”.

Walmir João Rampinelli, presidente da Cooperativa Pioneira de Eletrificação (Coopera), falou que a Coopera tem todo interesse que “vocês fiquem conosco, tanto é que temos todas as atas que menciona que queríamos permanecer como está. Temos ofício à Aneel solicitando a permanência. A Coopera é dos cooperados. Nossos cooperados mostraram satisfação enorme com a tarifa e todos querem permanecer. É reflexo de trabalho bem feito pela Coopera. Povo unido tem muita força e eles mostraram união”, reforçou.