Promotor Gustavo Wiggers detalha investigação do Gaeco

Promotoria detalha ação contra presidente da Multiplicando Talentos

Promotor público Gustavo Wiggers detalhou no final desta manhã, durante uma coletiva a imprensa, o processo de investigação que terminou com a prisão do presidente da Ong Multiplicando Talentos e outros oito colaboradores. “Esse trabalho começou em 2011 quando um ex-funcionário nos procurou, apresentou documentos indicando que o erário público estava sendo lesado. Desde então passamos a acompanhar as atividades da Ong e constatamos que o presidente utilizava os recursos públicos em benefício próprio”, pontua.

A Ong foi contratada pela Secretaria de Justiça e Cidadania para gerir a casa de semiliberdade de Criciúma e Araranguá e o Casep de Tubarão e Criciúma. Os órgãos acolhem e oferecem ressocialização aos adolescentes infratores. Era com o dinheiro destinado a este fim que o presidente da entidade se beneficiava. A suspeita é de que ao longo dos últimos anos, pelo menos 1,5 milhão tenham sido desviados. “Mas o valor pode ser maior, acreditamos que seja maior”.

Até o final da próxima semana, o MP deve concluir as primeiras denúncias. Nesta primeira fase o presidente da Ong será acusado de Peculato, que é o desvio de recurso público, e de organização criminosa. “Os outros envolvidos tinham ciência do que estavam fazendo, mas aceitavam as ordens que vinham de cima. Eles não foram beneficiados com os desvios a não ser os salários, mas tinham consciência do que acontecia”, relata o promotor.

Entre os crimes já identificados estava a utilização de dinheiro do Estado para pagar funcionários que atuavam na Ong e em empresas particulares dos acusados. “Um exemplo. Através da Lei Rouanet, a Ong implantou cinemas e o bilheteiro de um deles era pago como socioeducador do Casep”.

A pedido do MP, a justiça determinou o bloqueio de contas bancárias e bens. “Os imóveis foram bloqueados, os carros e as contas. Pelo que fui informado, ele teria 750 mil em contas dele e da empresa, mas o valor ainda precisa ser confirmado”, comenta o promotor que irá solicitar a prorrogação da prisão de todos os envolvidos.

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