Economia
Empresas recebem auxílio para enfrentar este momento e primeiros resultados aparecem
Criciúma
A crise gerada pelo coronavírus causou impactos na área social, na saúde pública e também à economia, sobretudo às micro e pequenas empresas. Com o objetivo de amenizar a situação, entidades de Criciúma e região uniram-se no Movimento Juntos de Coração, levando alimentos às famílias necessitadas, confeccionando e doando máscaras, fazendo a doação de equipamentos de proteção individual e disponibilizando consultorias empresariais gratuitas.
Um grupo de especialistas voluntários cadastrados no projeto está dando suporte aos empresários nas áreas tributária, trabalhista, captação de recursos, planejamento financeiro, recursos humanos e marketing de forma funcional, on-line e via agendamento prévio.
A ideia que nasceu dentro do Movimento tem a coordenação e organização realizada pela Associação Empresarial de Criciúma (Acic). “O empresariado é a nossa razão de ser e, por isso, não podíamos deixá-los desamparados, quando mais precisam do nosso apoio. Nesse momento difícil pelo qual todos passamos, a Acic continua ao lado da comunidade e do setor produtivo. Entendemos que prestar as consultorias, por meio de uma equipe altamente capacitada, fará com que as empresas reencontrem o caminho para se manter no mercado e continuar crescendo”, enaltece o presidente da Acic, Moacir Dagostin.
Para o empresário Alexsandro dos Anjos Nunes, os primeiros resultados já apareceram. “Mesmo a nossa empresa sendo do ramo da alimentação, o movimento baixou bastante, porque as pessoas estão com medo de sair de casa. Pedi a consultoria na área de marketing para tentar reverter isso e houve o apoio nessa área. Estamos tentando facilitar a vida dos clientes e nesse sentido a consultoria ajudou bastante”, comenta o proprietário da Própan Padaria e Confeitaria, localizada no Bairro Próspera.
“Nossa padaria é pequena, começamos eu e minha esposa e hoje nós trabalhamos em cinco pessoas. Estamos no mercado há quase quatro anos e temos uma clientela formada. No início, 95% das mercadorias eram terceirizadas e, hoje, 98% é de produção própria. Isso fidelizou o cliente e estamos nos empenhando para deixar o negócio bem organizado”, afirma o empresário.
Estratégia
Após o aconselhamento dos consultores, a empresa passou a movimentar as redes sociais, aplicou técnicas sobre trabalhar com WhatsApp, tele-entrega e drive-thru (retirada no balcão). O planejamento foi traçado a partir de uma conversa por vídeo-chamada.
“Estou implementando aos poucos, mas até clientes novos já consegui fazer. A consultoria foi de extrema importância, continuamos em contato e está sendo muito útil”, celebra Nunes.
“O proprietário relatou que os clientes não estavam mais indo à padaria, o fluxo diminuiu muito com essa pandemia, então focamos nas mídias sociais, tentando trazer o cliente de volta ou mesmo levar à Própan até o cliente, por meio de entregas em casa. Temos o relato positivo, de que a estratégia está dando certo e seguimos acompanhando para continuar nessa crescente”, explica o consultor Matheus Cardoso Valentim.
Auditor de contratos em uma rede de supermercados do Sul, ele fundou há um ano a Lion Consultoria Empresarial, junto com o sócio Gabriel Brigido, que também participa da iniciativa de apoio e suporte aos empresários.
“Assim que soubemos, decidimos participar deste ato de união ao lado dos empresários, que é de grande importância para amenizar os impactos na economia da região. Com os feedbacks positivos que recebemos, esse projeto é de grande valia para quem é atendido, e consequentemente também aumentou nosso networking na cidade”, pontua Valentim.
Economia
RetailTech reúne empresários e especialistas para debater tecnologia no varejo em Criciúma
O impacto da tecnologia no varejo foi o tema central do RetailTech, realizado nesta terça-feira (22/9) no Centro de Inovação Criciúma (CRIO). O evento reuniu empresários, lideranças, especialistas, pesquisadores e agentes do ecossistema de inovação em uma tarde de debates sobre inteligência artificial, automação, experiência do cliente e novas oportunidades de negócio.
A programação abriu com a apresentação dos resultados do InovaSul Varejo, estudo do Observatório de Desenvolvimento Socioeconômico e Inovação da Unesc. Na sequência, especialistas participaram de um painel sobre inteligência artificial, automação e experiência do cliente, discutindo os impactos da tecnologia no comércio e a permanência do fator humano nas relações de consumo.
“O varejo atravessa um período de mudanças marcado por novas tecnologias, inteligência artificial, automação, alterações no comportamento do consumidor e integração entre ambientes físicos e digitais. As transformações exigem novas estratégias das empresas, mas também abrem espaço para novos modelos de negócios e formas de relacionamento com clientes”, afirmou a gerente de Inovação da Unesc, Elenice Engel.
RetailTech Showcase conecta startups e empreendedores
O RetailTech Showcase integrou a programação com apresentações de startups e negócios que levaram soluções tecnológicas ao Centro de Inovação. Participaram empresas incubadas no CRIO e negócios de outras cidades, incluindo a Grande Florianópolis, em uma atividade que aproximou empreendedores e criou oportunidades de conexão.
Palestra de encerramento propõe olhar o negócio pela ótica do cliente
O evento se encerrou com a palestra “Tudo é Vitrine: Transforme cada ponto de contato em experiência e vendas”, ministrada por Francisco Issler — engenheiro civil que atua com marketing e vendas desde 2016, cofundador do projeto Vitrine Perfeita e mentor de empresários na área.
Para Issler, a vitrine deixou de ser apenas a fachada de uma loja. Redes sociais, WhatsApp, inteligência artificial, rádio e ambientes físicos também funcionam hoje como pontos de contato capazes de influenciar a percepção do consumidor. “A proposta foi levar empresários a observar os negócios a partir da perspectiva do cliente. O principal é olhar para o negócio a partir do olhar do cliente”, destacou.
O palestrante ilustrou essa dificuldade com a frase “quem está dentro da garrafa não consegue ler o próprio rótulo”. “O conceito representa a dificuldade de perceber o negócio pela perspectiva de quem está fora da operação. A mudança de olhar permite identificar pontos de melhoria e oportunidades de venda”, explicou.
Marketing x publicidade: “se não traz resultado, é só mais trabalho”
Issler também traçou a diferença entre marketing e publicidade. Anúncios, posts, banners, outdoors e campanhas fazem parte da publicidade, mas o marketing precisa estar associado a resultados concretos do negócio. “Se não traz resultado, não é marketing, é só mais trabalho”, alertou.
Ele apresentou ainda quatro critérios para avaliar ações de marketing: resultado, exposição, ação com intenção e lembrança. “A análise considera a capacidade de atrair e fidelizar clientes, alcançar o público adequado, estabelecer objetivos claros e permanecer na memória do consumidor no momento da decisão de compra”, pontuou.
Economia
Endividamento em SC bate recorde em agosto, mas inadimplência recua
As famílias catarinenses ficaram mais endividadas em agosto de 2026, mas mostram melhora na capacidade de pagamento das contas. É o que revela a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada pela Fecomércio SC em parceria com a Confederação Nacional do Comércio (CNC).
O percentual de famílias endividadas chegou a 78,4% — o maior nível da série recente. O número representa alta de 1,5 ponto percentual sobre julho e avanço de 6,9 pontos na comparação com agosto de 2025.
Inadimplência recua e fica abaixo da média nacional
Mesmo com o endividamento em alta, a inadimplência caiu no estado. O percentual de famílias com contas em atraso recuou para 22,2% em agosto — queda de 1,4 ponto percentual em relação a julho. O índice catarinense ficou bem abaixo da média nacional, que voltou a subir e atingiu 29,9%.
Para o presidente da Fecomércio SC, Hélio Dagnoni, o movimento sinaliza maior controle financeiro por parte das famílias. “A boa notícia é que a inadimplência, após mais de um ano, está retornando para próximo dos níveis históricos no estado, em torno de 22%. Ainda assim, o momento exige muita cautela, pois estamos em período eleitoral e muitas pessoas acabam adiando decisões de consumo e investimento diante desse cenário”, avalia.
Menos famílias dizem não conseguir pagar as dívidas
Outro sinal de melhora aparece no percentual de famílias que afirmam não ter condições de quitar as dívidas em atraso: o índice caiu para 8,7% em agosto e também segue abaixo da média nacional, reforçando a maior resiliência financeira do estado.
Cartão de crédito segue como principal dívida
O levantamento mostra ainda que o comprometimento médio da renda das famílias endividadas ficou em 29,9%, com tempo médio de atraso de 63,9 dias. Entre as modalidades de dívida, o cartão de crédito continua sendo a mais comum entre os lares endividados, embora com redução na comparação anual.
Economia
SindArroz-SC aponta prioridades para o próximo governo e defende redução de custos
A indústria e os demais elos da cadeia do arroz chegam ao período que antecede as eleições com demandas definidas para o próximo Governo. Em um cenário de custos elevados e margens cada vez mais pressionadas, o Sindicato das Indústrias de Arroz de Santa Catarina (SindArroz-SC) defende medidas que ampliem a previsibilidade para as empresas, reduzam os custos de produção e contribuam para o equilíbrio entre produção, industrialização e comercialização do cereal.
Na avaliação do presidente do SindArroz-SC, Walmir Rampinelli, entre os principais gargalos estão a insegurança jurídica e tributária, além do crescimento das demandas trabalhistas. Para o dirigente, a construção de regras mais claras e estáveis é fundamental para que as empresas possam planejar investimentos e tomar decisões com maior segurança. “Esse cenário dificulta o planejamento e aumenta a preocupação das empresas. Também observamos um crescimento expressivo das demandas trabalhistas, que amplia os custos e a insegurança para as indústrias”, afirma.
Além da questão regulatória, a tributação, os custos de energia, a logística e as despesas industriais pesam sobre a competitividade da cadeia. “O principal ponto de pressão está no custo total da atividade, especialmente diante do peso dos impostos. O produtor precisa ter um custo de produção mais baixo, de forma que consiga fornecer o produto às indústrias em condições economicamente viáveis. As indústrias, por sua vez, precisam ter margem para beneficiar o arroz e fazê-lo chegar à mesa do consumidor com uma logística equilibrada e custos de transporte justos”, explica Rampinelli.
Logística e exportações
Entre as medidas que podem contribuir para a competitividade do setor, o presidente do Sindicato destaca a necessidade de melhorias na logística. O transporte interfere diretamente nos custos de produção e industrialização e, consequentemente, no preço final do arroz.
Outro caminho apontado pelo SindArroz-SC é o fortalecimento das exportações. Para Rampinelli, uma política contínua e planejada de vendas ao mercado externo pode contribuir para equilibrar a produção e o consumo nacional, além de ampliar o valor agregado ao produto brasileiro.
Planejamento de longo prazo
Diante dos desafios enfrentados pela cadeia, o presidente do SindArroz-SC defende que as medidas do próximo Governo não sejam pontuais, mas façam parte de uma estratégia de longo prazo para o setor. O planejamento deve considerar a demanda nacional, a produção necessária para garantir o abastecimento, uma margem de segurança e alternativas para a diversificação de culturas.
“Uma política estruturada e construída com previsibilidade pode contribuir para reduzir os riscos e dar melhores condições para produtores e indústrias planejarem suas atividades. A integração entre produção, indústria e governo, teria impacto direto na competitividade e na sustentabilidade de toda a cadeia do arroz”, conclui o dirigente.
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