Política
Mandatos cassados no regime militar são restituídos pela Alesc
Florianópolis
Uma sessão especial da Assembleia Legislativa restituiu, de modo simbólico, os mandatos de um vice-governador e sete deputados estaduais catarinenses que tiveram seus mandatos cassados pelo regime militar na década de 1960. Familiares, amigos e autoridades dos homenageados compartilharam momentos de emoção e celebração da democracia na noite desta terça-feira (13).
A lista incluiu o vice-governador Francisco Dallígna (PTB) e os deputados Paulo Stuart Wright (PSP), Addo Faraco (PTB), Evilásio Nery Caon (MDB), Fernando Viegas de Amorim (Arena), Genir Destri (MDB), Manoel Dias (PDT) e Waldemar Sales (Arena). Proponente da sessão, o deputado Rodrigo Minotto (PDT) comentou que o gesto, apesar de simbólico, tem um grande significado. “Nosso objetivo é restabelecer essa ordem, resgatando a memória daqueles que sofreram naquele regime e que lutaram pela democracia, por um Brasil mais justo e soberano”, afirmou.
Filha de um dos que perderam o mandato, a deputada Ada de Luca (MDB) afirmou estar vivendo uma “emoção especial” durante o ato que tem grande importância para as famílias. “É uma ferida cicatrizada mas que, às vezes, sangra. É um resgate da justiça, da cidadania, de toda uma história. E um estado sem história é triste. E isso faz parte da história de Santa Catarina”, avaliou.
Único dos homenageados vivo, Manoel Dias recebeu de volta o seu mandato exatamente no dia em que completou 81 anos de idade. Deputado estadual à época, o líder do PDT lembrou que, em 1969, quando foi editado o Ato Institucional número 5, era natural que aqueles que tinham atividade política mais intensa no campo popular fossem perseguidos. “Eu era deputado pela região carbonífera, a região mais à esquerda de Santa Catarina. No dia 13 de março veio minha cassação, em um ato de força. Você era cassado e ficava sabendo pela Voz do Brasil. E ao mesmo tempo suspendiam por 10 anos os direitos políticos para tentar anular as lideranças”, rercordou.
Na opinião dele, receber o mandato de volta é um resgate proporcionado pela Alesc, que é a representação popular, e que corrige um ato arbitrário. “Tenho saudades daqueles companheiros que não estão mais aqui. Nós trabalhamos juntos no sentido de construir um Brasil mais justo, mais igual e democrático”, argumentou.
O procurador-geral de Justiça do Ministério Público de Santa Catarina, Fernando da Silva Comin, declarou que a sessão tem outro significado especial. “Para a gente compreender nossa história atual e [saber] onde queremos chegar é preciso não esquecer do passado. Hoje o Parlamento faz essa justa homenagem em um gesto que transmite a importância do exercício do poder político pelo parlamentar. Justamente em um momento no qual vivemos grandes mudanças em nosso país”, comentou.
Para o presidente do Tribunal de Justiça, Rodrigo Collaço, o ato é “em benefício do cidadão, da democracia”. Segundo ele, em nenhuma hipótese um deputado pode ser cassado por pensar diferente de quem esteja no governo. “A representação popular na democracia tem que ser absoluta, livre. Na medida que se cassa um deputado se atinge um pilar central da democracia que é a representação popular. Em qualquer tempo é importante restituir esses mandatos para que fique a lição”, concluiu.
Política
Betha Sistemas recebe Moção de Aplauso da Câmara de Criciúma
A Betha Sistemas recebeu, durante a sessão ordinária desta terça-feira (15), uma Moção de Aplauso da Câmara de Vereadores de Criciúma. A homenagem, de autoria do vereador Marcos Machado (MDB), o Marquinho, reconhece a trajetória da empresa criciumense de inovação, empreendedorismo e contribuição para o fortalecimento da gestão pública brasileira.
Fundada em 1985, em Criciúma, por César Smielevski e Cláudio Balsini, a empresa iniciou sua trajetória no segmento de informática. Ao longo dos anos, direcionou sua atuação para o desenvolvimento de soluções voltadas à gestão pública e tornou-se referência nacional na área.
Com a matriz em Criciúma, a Betha desenvolve tecnologias utilizadas por municípios e órgãos públicos em diferentes áreas da administração, contribuindo para a modernização dos serviços e para uma gestão mais eficiente.
Para o vereador Marquinho, a homenagem representa o reconhecimento do Legislativo a uma empresa que nasceu em Criciúma e levou o nome do município para todo o país. “É uma honra poder homenagear uma empresa que nasceu em Criciúma, cresceu junto com a nossa cidade e hoje é referência nacional em tecnologia para a gestão pública. A Betha representa inovação, empreendedorismo e geração de oportunidades, e merece o reconhecimento desta Casa.”
Política
Santa Catarina está entre os três estados brasileiros com melhor desempenho no PISA 2025
Santa Catarina está entre os estados brasileiros com melhor desempenho no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) 2025. Os estudantes catarinenses ficaram acima da média brasileira nas três áreas avaliadas, Ciências, Leitura e Matemática, e alcançaram o 3º melhor desempenho geral entre as Unidades da Federação, considerando os resultados nas três áreas.
Em Ciências, Santa Catarina registrou 430,6 pontos, alcançando a 3ª posição nacional e ficando 22,1 pontos acima da média nacional. Em Leitura, foram 431,7 pontos, também com o 3º melhor resultado entre os estados e 23,7 pontos acima do Brasil. Já em Matemática, o Estado obteve 395,6 pontos, ficando na 4ª posição nacional, com 18,8 pontos à frente do país.
Os resultados catarinenses também se destacam na comparação com os desempenhos dos países latino-americanos participantes do PISA. Em Leitura, Santa Catarina alcançou 431,7 pontos, apenas 4,3 pontos abaixo do Chile, que registrou 436 pontos e teve o melhor resultado latino-americano na área. O desempenho catarinense ficou ainda acima do Uruguai, que alcançou 423 pontos.
Em Ciências e Matemática, Santa Catarina também se aproxima dos resultados de Chile e Uruguai, líderes entre os países latino-americanos avaliados.
Resultado reforça estratégia de acompanhamento e melhoria da aprendizagem
O desempenho registrado no PISA 2025 se soma a outros indicadores educacionais e reforça a importância de políticas permanentes de avaliação e acompanhamento da aprendizagem. Na rede estadual de ensino de Santa Catarina, a Secretaria de Estado da Educação (SED) utiliza os resultados de avaliações diagnósticas e outros dados educacionais para identificar necessidades, orientar o planejamento pedagógico e apoiar as escolas na definição de estratégias para melhorar o desempenho dos estudantes.
Essa atuação é articulada à formação continuada dos profissionais da educação. Por meio da Escola de Formação de Professores e Gestores Escolares, a SED amplia a oferta de capacitações para professores, equipes pedagógicas e gestores, fortalecendo práticas de ensino, acompanhamento da aprendizagem e uso pedagógico das evidências produzidas pelas avaliações. A estratégia busca aproximar diagnóstico, formação e ação pedagógica, criando condições para que os dados se transformem em intervenções efetivas no cotidiano escolar.
A melhoria da aprendizagem também depende de condições adequadas para ensinar e aprender. Por isso, a SED vem combinando as ações pedagógicas com investimentos na infraestrutura da rede, incluindo reformas, ampliações, e revitalizações das unidades escolares, além da conclusão da climatização de 100% das salas de aula.
Esse conjunto de medidas integra uma estratégia de qualificação da educação catarinense e ocorre em um contexto de avanço dos indicadores, como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2025, no qual Santa Catarina apresentou os melhores resultados da série histórica em todas as etapas da educação básica. Entre 2023 e 2025, a rede estadual de ensino passou de 5,8 para 6,3 nos anos iniciais, de 4,6 para 5,0 nos anos finais do ensino fundamental e de 3,8 para 4,3 no ensino médio.
Política
Marcos Pontes critica pressa na votação da escala 6×1 e alerta para risco de perda de empregos
Senador defende redução da jornada, mas afirma que trabalhador e empresa devem ter liberdade para negociar a organização do trabalho
O senador Marcos Pontes (PL-SP) criticou a possibilidade de uma votação acelerada da proposta que altera a escala de trabalho 6×1 e defendeu que o Congresso Nacional tenha tempo para analisar os impactos da medida.
Em entrevista à Rádio Cidade, Pontes afirmou que considera importante garantir períodos adequados de descanso aos trabalhadores, mas questionou a imposição de uma jornada única por lei.
“Eu concordo com a necessidade e a importância de qualquer pessoa que trabalhe ter o descanso adequado”, afirmou.
Ao mesmo tempo, o senador defendeu que trabalhadores tenham liberdade para negociar com as empresas a forma de organização da jornada.
Senador alerta para impacto nas empresas
Pontes argumentou que uma eventual redução da jornada precisa levar em conta também a realidade financeira das empresas.
Segundo ele, alterações sem estudos aprofundados poderiam provocar consequências como redução de postos de trabalho, aumento de custos de produtos e serviços e pressão sobre a inflação.
“Não se pode pegar uma pauta como essa e querer votar a toque de caixa”, afirmou.
Para o senador, a discussão precisa considerar os efeitos no curto, médio e longo prazo antes de uma decisão definitiva.
“É importante ter liberdade e ter o emprego garantido”
Pontes afirmou que o debate não deveria ser apresentado apenas sob a perspectiva de trabalhar menos e manter a mesma remuneração.
Na avaliação dele, uma mudança desse tipo pode provocar efeitos indiretos sobre o mercado de trabalho.
“É importante que se tenha descanso para o trabalhador, sem dúvida nenhuma. É importante que se tenha tudo isso, mas é importante ter liberdade e ter o emprego garantido”, disse.
O senador também citou mudanças ocorridas nas regras trabalhistas dos empregados domésticos como exemplo do que considera uma alteração que pode produzir efeitos diferentes dos inicialmente esperados.
Segundo Pontes, parte dos trabalhadores teria migrado para o trabalho como diaristas após as mudanças.
Discussão depois das eleições
Pontes defendeu que o debate sobre a escala 6×1 continue após as eleições, para evitar, segundo ele, que a pauta seja utilizada com finalidade eleitoral.
O senador afirmou que é necessário apresentar à sociedade os possíveis impactos da mudança antes da votação.
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