Economia
Comércio e serviços de Santa Catarina crescem em 2026, com varejo em ritmo mais forte
Os resultados mais recentes das Pesquisas Mensais do Comércio (PMC) e de Serviços (PMS), elaboradas pelo IBGE, mostram que comércio e serviços de Santa Catarina seguem em trajetória de crescimento em 2026. O comércio apresenta o desempenho mais forte, com avanço de 4,9% no acumulado em 12 meses, mais de três vezes o crescimento registrado no Brasil (1,6%). Os serviços também registram expansão no estado, embora em ritmo mais moderado.
No acumulado em 12 meses, o setor de serviços de Santa Catarina apresenta crescimento de 2,0%, enquanto o comércio avança 4,9%. No primeiro semestre, o varejo restrito catarinense cresceu 4,5%, mais que o dobro da média nacional (1,9%), posicionando o estado entre os seis melhores desempenhos do país. Já os serviços acumulam alta de 1,3% no ano, abaixo dos 2,0% registrados no Brasil. Os resultados mostram, portanto, uma economia com crescimento nos dois setores, mas com uma expansão mais robusta do comércio.
“É positivo observar que tanto o comércio quanto os serviços apresentam crescimento no primeiro semestre, especialmente considerando que o contexto macroeconômico ainda é muito difícil, com juros elevados, que aumentam o custo do crédito e exigem mais prudência das empresas e dos consumidores. Além disso, anos eleitorais geralmente são marcados por uma maior cautela por parte do setor produtivo”, afirma o presidente da Fecomércio SC, Hélio Dagnoni. “Nesse cenário, o desempenho dos setores mostra que a economia catarinense continua encontrando espaço para crescer, ainda que em ritmos diferentes.”
No setor de serviços, Santa Catarina registrou crescimento de 0,9% em junho frente ao mês anterior, com ajuste sazonal, resultado superior à estabilidade observada no Brasil (0,0%). Na comparação com junho de 2025, o avanço foi de 3,9%, também acima da média nacional (2,0%). Apesar do desempenho positivo no mês, o resultado acumulado no ano aponta uma expansão mais moderada, de 1,3%.
O desempenho dos serviços segue marcado por forte heterogeneidade entre as atividades. Segmentos como serviços profissionais, administrativos e complementares e informação e comunicação sustentam o crescimento, com altas expressivas tanto no mês quanto no acumulado. Por outro lado, serviços prestados às famílias e outros serviços permanecem em retração, pressionando o resultado agregado. O turismo também apresenta desempenho negativo, com queda de 5,3% no acumulado do ano, contraste relevante frente ao recuo mais moderado observado nacionalmente.
No comércio, o resultado de junho isolado foi mais moderado. Na comparação com o mês anterior, houve leve retração de 0,2% no estado, enquanto o país registrou alta de 0,5%. Ainda assim, na comparação interanual, o comércio catarinense avançou 4,3%, superando novamente a média nacional (2,9%).
O desempenho positivo do comércio é disseminado entre diversos segmentos, com destaque para veículos, motocicletas e peças, que cresceram 19,0% na comparação anual, além de livros e papelaria, eletrodomésticos e equipamentos de informática. Em contrapartida, segmentos como tecidos, vestuário e calçados seguem em retração, evidenciando diferenças no comportamento do consumo.
No varejo ampliado, que inclui materiais de construção e o setor automotivo, Santa Catarina também supera a média nacional no acumulado do ano, com alta de 4,7% frente a 1,9% do Brasil, embora com desempenho mensal igualmente mais fraco em junho.
De forma geral, os dados mostram que comércio e serviços contribuíram para o crescimento da economia catarinense, com o varejo apresentando uma expansão mais intensa. O avanço de 4,9% do comércio no acumulado em 12 meses se destaca em um cenário de juros elevados e maior cautela dos agentes econômicos, enquanto os serviços mantêm crescimento, ainda que em ritmo mais moderado.
Economia
Mercado mantém estáveis projeções para inflação, juros, PIB e dólar
As expectativas do mercado financeiro para a inflação, a taxa básica de juros, o crescimento da economia e câmbio permaneceram estáveis na comparação com a semana passada, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (17) pelo Banco Central.

Para 2026, a projeção para a inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi mantida em 5,02%. A estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) também permaneceu em 1,98%. As projeções para o dólar ao fim do ano e para a taxa básica de juros (Selic) seguiram em R$ 5,20 e 13,75% ao ano, respectivamente.
O cenário reflete estabilidade nas expectativas para os principais indicadores acompanhados pelo mercado financeiro.
A projeção para a inflação continua acima da meta contínua perseguida pelo Banco Central. Para alcançá-la, a autoridade monetária utiliza como principal instrumento a taxa Selic, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom).
Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, o objetivo é conter a demanda aquecida, medida que ajuda a reduzir a inflação porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Por outro lado, taxas elevadas podem dificultar a expansão da atividade econômica.
2027
Já a previsão de crescimento do PIB indica a expectativa do mercado para o desempenho da economia brasileira. O indicador representa a soma de todos os bens e serviços produzidos no país.
O boletim também mostrou pequenas alterações nas estimativas para 2027. A projeção para o IPCA passou de 4,22% para 4,24%, enquanto a previsão de crescimento do PIB recuou de 1,52% para 1,50%. A estimativa para o dólar subiu de R$ 5,28 para R$ 5,29. A expectativa para a Selic permaneceu em 12% ao ano.
Divulgado semanalmente pelo Banco Central, o Relatório Focus reúne projeções de instituições financeiras para os principais indicadores da economia brasileira.
Agronegócio
Feira AgroPonte encerra 15ª edição com público próximo de 110 mil visitantes
Evento ampliou estrutura, recebeu novos públicos e movimentou negócios, encontros e oportunidades para o agronegócio durante cinco dias em Criciúma
A 15ª Feira AgroPonte chegou ao fim neste domingo, dia 16, depois de cinco dias de programação no Pavilhão José Ijair Conti, em Criciúma. Considerada a maior edição da história do evento, a feira recebeu um público próximo de 110 mil pessoas e reuniu produtores rurais, agricultores familiares, empresas, criadores, profissionais do setor e visitantes de diferentes regiões.
A programação contou com exposição de mais de 300 animais, julgamentos das raças Nelore e Brahman, apresentações equestres, Arena de Equoterapia, Rodada de Negócios da Agricultura Familiar, participação de mais de 250 empresas expositoras e atividades voltadas à agricultura familiar, tecnologia e indústria.
Uma das novidades desta edição foi o espaço A Cultura do Homem do Campo, instalado no Ginásio Municipal. O ambiente recebeu apresentações culturais e musicais ao longo dos cinco dias e foi bem recebido pelo público. Com a ampliação da área ocupada pela feira, a circulação pelos espaços também ficou mais confortável.
Para a diretora da NossaCasa Feiras e Eventos, Jaqueline Backes, a edição mostrou que a ampliação da estrutura acompanhou uma mudança no perfil do público. “Percebemos uma presença muito forte dos agricultores nesta edição, especialmente nos primeiros horários da tarde durante os dias de semana. Como tivemos períodos de chuva, muitos produtores acabaram conseguindo deixar o trabalho na propriedade e vieram para a feira. Também recebemos um público muito diverso e tivemos um retorno muito positivo sobre o novo espaço da Cultura do Homem do Campo e sobre a circulação pela feira”, avalia.
Feira gera negócios e também cria novos produtos
O resultado de uma feira nem sempre aparece apenas na negociação realizada durante os cinco dias. Um exemplo está na história da empresa Januário, de Turvo, que participa da Feira AgroPonte há oito anos.
Em 2024, durante a feira, um produtor apresentou à equipe uma ideia para uma máquina que pudesse atender a uma necessidade específica de propriedades da Serra catarinense. A empresa decidiu desenvolver o equipamento e, depois de testes e ajustes, levou a solução pronta para a edição de 2026.
Trata-se de um atomizador com capacidade para 1.500 litros, desenvolvido para substituir o conjunto formado por trator e tanque de arrasto em determinadas operações, especialmente em áreas de difícil acesso. “Ele veio aqui, conversou com a gente e disse que precisava tirar alguns tratores da lavoura e acreditava que, juntando duas ideias, seria possível fazer um atomizador. A gente iniciou o desenvolvimento, tentou, errou até chegar ao acerto e hoje temos a máquina pronta”, conta Nelson Rezin, consultor de vendas da Januário.
O produtor que apresentou a sugestão já adquiriu a máquina. Outros equipamentos já foram vendidos e estão em produção ou foram entregues, com clientes inclusive de fora de Santa Catarina.
Para Rezin, a experiência mostra como o contato com os produtores durante a feira pode influenciar diretamente o desenvolvimento de novos produtos. “É uma feira que soma muito para nós. A gente não pensa mais somente em vender máquinas durante a feira, mas em conhecer clientes, levantar demandas e depois prospectar os negócios. Às vezes, uma conversa aqui vira um novo produto para a empresa”, afirma.
Resultado dos negócios será divulgado posteriormente
O volume financeiro movimentado pela 15ª Feira AgroPonte ainda está sendo levantado. A organização realiza uma pesquisa junto aos expositores para reunir os resultados e deve divulgar os números consolidados nos próximos dias.
Para Jaqueline, o resultado da edição também precisa ser observado a partir dos contatos e oportunidades criados durante o evento. “Uma feira desse tamanho não se resume ao que acontece nos corredores durante os cinco dias. Muitos negócios começam aqui e continuam depois, assim como novas parcerias e ideias. O que queremos é que o produtor, a empresa, o expositor e o visitante saiam daqui levando algum resultado”, destaca.
Data de 2027 já está agendada
A próxima edição da Feira AgroPonte já tem data marcada. A 16ª edição será realizada de 11 a 15 de agosto de 2027, novamente no Pavilhão José Ijair Conti, em Criciúma.
Agronegócio
Feira AgroPonte reúne animais de alto padrão nos julgamentos de Nelore e Brahman
Campeões das duas raças foram definidos após avaliações técnicas realizadas por jurado credenciado pela ABCZ
Os julgamentos das raças Nelore e Brahman movimentaram a programação pecuária da 15ª Feira AgroPonte nesta quinta e sexta-feira, dias 14 e 15 de agosto. Criadores de diferentes regiões levaram seus animais para a pista de julgamento e apresentaram exemplares que, segundo o jurado da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), Felipe Afonso de Souza, estão no mesmo nível dos animais encontrados nas principais exposições do país.
“Me surpreendeu a qualidade dos animais aqui, tanto da raça Nelore quanto da raça Brahman. Muitos animais se enquadram dentro dos padrões das suas determinadas raças. Os campeões daqui não perdem em nenhum quesito para os campeões no Brasil afora”, avalia Felipe.
Avaliação considera diferentes características
De acordo com o médico-veterinário Marcelo Pedroso, que também apresenta os julgamentos, durante o julgamento, os animais são analisados a partir de um conjunto de características específicas de cada raça. A avaliação começa pela caracterização racial, que considera os atributos que dão identidade ao Nelore e ao Brahman.
Também são observados aspectos como desenvolvimento muscular, crescimento, precocidade de carcaça, precocidade sexual, dimorfismo sexual e aprumos, que estão relacionados à forma como o animal se movimenta e se posiciona. “É um conjunto de características que a gente procura identificar nos melhores animais que representam aquela raça, naquela categoria, naquela idade. E aqui foram muito bem representados, tanto pelas fêmeas quanto pelos machos”, explica o jurado.
Segundo Felipe, a evolução da pecuária catarinense também pode ser percebida na qualidade dos animais apresentados na pista. “É muito importante ver Santa Catarina fortalecida e uma evolução. Espero poder voltar aqui mais vezes para acompanhar o desempenho desses animais, tanto os jovens quanto os adultos, que têm muita qualidade.”
Nelore abriu rodada de julgamentos
O primeiro julgamento foi da raça Nelore, com avaliação das categorias de fêmeas e machos. Entre as fêmeas, a Grande Campeã foi a ISPU 6928, da Cabanha Trevo D’Agua. A Reservada foi a FHGNB 1595, também da Cabanha Trevo D’Agua.
Nos machos, o título de Grande Campeão ficou com o LMW 795, da Fazenda Scarpari e Araucária da Fé. O Reservado foi o ETP 208, do Cerro Azul.
Brahman encerra julgamentos
Na sexta-feira, foi a vez da raça Brahman entrar na pista. A Grande Campeã entre as fêmeas foi a AAB 192, da Águas Frias. A AAB 203, também da Águas Frias, ficou com o título de Reservada.
Entre os machos, o Grande Campeão foi o BPAR 1065, da Cabanha Bez Batti. O animal já havia sido apresentado na Feira AgroPonte como um dos destaques da pecuária da edição. O título de Reservado ficou com o WRRB 1629, também da Cabanha Bez Batti.
Categorias especiais valorizam animais adultos
Além das categorias previstas no regulamento oficial, a Feira AgroPonte conta desde 2024 com duas categorias de incentivo: Gran Sênior e Gran Matriz. Segundo o diretor da Nossacasa Feiras e Eventos e idealizador da Feira AgroPonte, Willi Backes, a categoria Gran Sênior é destinada a machos com idade superior a 36 e até 120 meses, desde que apresentem laudo de exame andrológico positivo e estejam aptos à reprodução. Já a Gran Matriz contempla fêmeas com mais de 36 meses que estejam com cria ao pé, prenhes ou em regime de colheita de embriões ou oócitos.
Pelo segundo ano consecutivo, o título de Gran Sênior ficou com o touro PVT 115 Falcão, conhecido como Hércules, da Cabanha Talismã, de Içara, do pecuarista Adilor Loli Viana. O animal, que atualmente detém o título de mais pesado do Brasil, voltou à pista da Feira AgroPonte após conquistar o mesmo reconhecimento na edição anterior. Já quem levou o título de Gran Matriz foi da Cabanha Talismã, BPAR 965.
Genética catarinense ganha espaço na pista
A presença de animais de alto padrão genético nos julgamentos reforça o trabalho realizado pelos criadores catarinenses e também amplia a visibilidade dos rebanhos produzidos no Estado.
Para Felipe Afonso de Souza, que é médico veterinário e atua como jurado credenciado pela ABCZ desde 2013, a experiência na Feira AgroPonte mostrou uma evolução consistente dos animais apresentados. “Estou muito feliz pelo que vi aqui. Tanto no Nelore quanto no Brahman, encontramos animais de muita qualidade, que representam muito bem suas raças”, afirma.
A 15ª Feira AgroPonte segue até domingo, dia 16, no Pavilhão José Ijair Conti, em Criciúma. Além dos julgamentos, o público pode visitar a exposição de animais, conferir as empresas expositoras, a agricultura familiar, as apresentações equestres, a Arena de Equoterapia e o espaço A Cultura do Homem do Campo.
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