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Agronegócio

Epagri estima que safra de inverno 2024/2025 deve ser melhor do que a anterior

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As principais culturas da safra de inverno 2024/2025 já estão a campo e as condições das lavouras são consideradas boas. Conforme dados do projeto de acompanhamento das safras desenvolvido pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa), toda a área prevista para a safra de trigo e de alho já foi plantada. No caso da cebola, cerca de 59% da área de plantio estimada foi implantada até o início deste mês. As informações foram divulgadas por meio do Boletim Agropecuário do mês de agosto e também estão disponíveis nos sites do Observatório Agro Catarinense e do Infoagro.

Com isso, a estimativa de maiores produtividades nesta safra de inverno está mantida para as três culturas mencionadas. Na safra 2023/2024, houve uma quebra significativa na produção devido ao excesso de chuva registrado em Santa Catarina, especialmente, em outubro e novembro. O Boletim Agropecuário é uma publicação mensal da Epagri/Cepa que reúne informações conjunturais das safras e dos mercados dos principais produtos agropecuários do Estado.

Trigo

Com o encerramento da semeadura do trigo, a estimativa de área foi atualizada. Houve uma redução de 12,43% na área plantada em comparação com aquela registrada na safra anterior. A produtividade média estadual está estimada em pouco menos de 3,6 mil quilos por hectare, o que representa um aumento de 60,69% em relação à safra 2023/2024. Com isso, a produção deve crescer cerca de 40,72%. A condição das lavouras é boa em 97% das áreas avaliadas e média nos outros 3%.

Conforme o analista de Socioeconomia e Desenvolvimento Rural, da Epagri/Cepa, João Alves, em julho, os preços médios recebidos pelos produtores catarinenses de trigo ficaram praticamente estáveis. Na variação anual, em termos nominais, o preço médio recebido em julho de 2024 foi 2,2% menor do que o registrado em julho de 2023. Já na comparação do preço médio mensal de julho com os praticados nos primeiros dez dias de agosto, é possível perceber um recuo de 0,48% no valor da saca de 60kg.

Alho

O levantamento da Epagri/Cepa aponta que foram plantados aproximadamente 656 hectares de alho na safra 2024/2025, isso é uma área cerca de 34% menor do que a da safra anterior. A boa notícia é que, até o momento, a condição das lavouras é considerada boa. De acordo com o analista de Socioeconomia e Desenvolvimento Rural da Epagri/Cepa, Jurandi Gugel, a safra catarinense de alho 2023/2024 já foi comercializada. No encerramento, em junho, o preço médio pago ao produtor para o alho categorias 4-5, foi de R$14,00 o quilo, redução de 30% em relação ao mês de maio.

Sobre os preços no atacado, as cotações do alho tiveram uma redução influenciada pelo início da comercialização da produção do centro do país. Na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), o alho classe 5 foi comercializado a R$23,79 o quilo, redução de 14,36% em relação ao início de junho. O alho classe 6 iniciou o mês a R$26,00 o quilo, redução de 13,13%, e o alho classe 7 a R$28,51 o quilo, redução de 13,07% na comparação com o mês anterior.

No primeiro semestre de 2024, as importações de alho foram de 105,76 mil toneladas, o que é 29,4% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.

Cebola

A estimativa, para a safra 2024/2025, é que a área plantada com cebola ultrapasse os 17,37 mil hectares em Santa Catarina. Isso representa uma redução de quase 6% em relação à safra anterior. Aproximadamente 59% dessa área já foi plantada e as condições das lavouras são consideradas boas. No mês de julho, o preço médio recebido pelos produtores catarinenses e as cotações da cebola no atacado tiveram redução na comparação com o mês anterior. De acordo com Jurandi, isso ocorreu devido ao aumento da oferta interna da hortaliça com a intensificação da comercialização do produto oriundo do centro do país.

O preço médio pago ao produtor catarinense pelo quilo da cebola, em julho, foi de R$36,00 a saca de 20 quilos, redução de 40% em relação ao mês de junho. Na Ceagesp, o mês de julho iniciou com o preço em R$5,69 o quilo para a cebola-nacional média – redução de 17,41% em relação ao preço do início de junho, quando foi de R$6,89 o quilo. Já as importações de cebola, no primeiro semestre de 2024, foram superiores a 252 mil toneladas, maior volume dos últimos anos.

Maçã

O mercado da maçã em Santa Catarina e no Brasil, no primeiro semestre de 2024, apresentou variações nos preços e volumes comercializados, influenciados por fatores como oferta reduzida e condições climáticas adversas. No atacado catarinense, entre junho e julho de 2024, houve uma leve desvalorização no preço das maçãs, mas um aumento significativo em relação a julho de 2023. As maçãs Gala e Fuji tiveram flutuações de preço, com a primeira valorizando-se mais que a segunda.

No mercado nacional, o preço da maçã catarinense também oscilou, com desvalorização recente, mas alta em relação ao ano anterior. As importações de maçã, principalmente do Chile, aumentaram devido à menor produção interna. A produção catarinense, na safra 2023/24, teve uma redução estimada em 23,7% na comparação com a anterior, resultado de uma menor produtividade e área colhida, especialmente para as variedades Fuji e Gala.

Arroz

A safra 2023/24 encontra-se encerrada. Os preços do arrozem casca, no mês de julho, continuaram a tendência de redução observada desde o mês de junho. O aumento da oferta interna, dada a conclusão da colheita em Santa Catarina e a consequente comercialização do grão, explica o comportamento dos preços no Estado. Em relação ao comércio internacional de arroz, de janeiro a julho de 2024, as empresas catarinenses faturaram US$1,94 milhão com exportações.

Por outro lado, o valor das importações catarinenses, no mesmo período, foi 76,04% maior do que o observado no mesmo período de 2023. Entre as explicações para esse comportamento destaca-se o aumento da demanda interna e preços internacionais competitivos. No mês de julho também chegou no mercado o arroz adquirido da Tailândia pela indústria. O país asiático foi responsável por 11% do valor importado no primeiro semestre de 2024 por empresas do Estado. Entre as razões que favoreceram essa comercialização está o imposto zerado para países fora do Mercosul.

Feijão

O período atual é de entressafra do feijão. Em julho, o preço médio recebido pelos produtores catarinenses de feijão-carioca teve uma valorização de 7,84% na comparação com o mês anterior (passou de R$152,69 para R$164,66 a saca de 60kg). Já para o feijão-preto, o preço médio recebido pelos produtores teve um crescimento de 8,93% em relação a junho (passou de R$202,27 para R$220,33 a saca de 60kg). Na comparação dos preços médios mensais de julho com os praticados nos primeiros 10 dias de agosto, é possível perceber um recuo de 1,24% no preço do feijão-preto e de 4,41% no preço do feijão-carioca.

No mercado atacadista, a qualidade do feijão-carioca que vem sendo comercializado em São Paulo tem limitado o número de negociações. Nesse período de entressafra, o mercado nacional é abastecido por produto proveniente de Minas Gerais e do Paraná, estados que tiveram a safra prejudicada pelo clima adverso. Já com a finalização da segunda safra do feijão-preto no Sul do país, o mercado vem sendo atendido pelos estoques paranaense e, eventualmente, argentinos. Em decorrência do expressivo volume colhido na segunda safra, as importações deverão cair significativamente.

Milho

O relatório de fechamento da safra 2023/24 confirma as estimativas anteriores da redução da área de cultivo de milho em 7,9% e da produtividade em 18,5%, que levaram à retração da produção total da safra em 24,6%. Em termos absolutos, isso representa 600 mil toneladas a menos na comparação com a safra anterior. Para a 2024/25, existe um indicativo de nova redução de área plantada. Essas informações serão divulgadas no próximo boletim. 

O mercado do milho apresentou, em julho, a predominância de fatores de baixa, sobretudo em função da maior oferta da colheita da segunda safra no Brasil. Na primeira quinzena de agosto, os preços mostraram sinais de reação, com movimentos de elevação. O volume de exportações poderá levar a um movimento de alta nas cotações ao longo do segundo semestre.

Soja

A produção total para a safra 2023/24, em Santa Catarina, foi de 2,75 milhões de toneladas. Em relação à safra anterior, a estimativa final apontou para uma redução de 8,2% na produção em função de intercorrências climáticas. Esses problemas atingiram, especialmente, a segunda safra. No entanto, com o aumento da área da primeira safra, a produção de soja não teve redução mais significativa.

Sobre o mercado, após os preços da soja apresentarem elevações sucessivas desde início do ano, em julho eles recuaram. O valor médio mensal recebido pelos produtores catarinenses no mês foi de R$125,62 a saca, uma redução de 0,7% em relação ao mês de junho. O relatório do USDA de agosto, que projetou uma produção maior na atual safra dos Estados Unidos, pressionou os preços.

Bovinos

Na primeira quinzena de agosto, o preço médio estadual da arroba do boi gordo apresentou alta de 0,3% em relação ao valor registrado no mês anterior. Contudo, quando se leva em consideração o valor recebido pelos produtores em agosto de 2023, registra-se queda de 8,8%. Os preços de atacado da carne bovina, por sua vez, apresentaram variação positiva de 0,4% em relação ao mês anterior.

Segundo dados da Cidasc, sistematizadas pela Epagri/Cepa e divulgadas no Observatório Agro Catarinense, de janeiro a julho deste ano o Estado produziu e abateu 369,5 mil cabeças, alta de 7,1% em relação aos abates do mesmo período de 2023.  

Frangos

Santa Catarina exportou 103,2 mil toneladas de carne de frango (in natura e industrializada) em julho – altas de 11,8% em relação aos embarques do mês anterior e de 14,7% na comparação com os de julho de 2023. As receitas foram de US$206,0 milhões – crescimentos de 18,1% em relação às do mês anterior e de 5,2% na comparação com as de julho de 2023.

No acumulado de janeiro a julho, Santa Catarina exportou 666,6 mil toneladas, com receitas de US$1,28 bilhão – alta de 5,0% em quantidade, mas queda de 7,3% em receitas na comparação com os valores acumulados no mesmo período do ano passado. O Estado foi responsável por 23,6% das receitas das exportações brasileiras de carne de frango nos sete primeiros meses do ano.

Segundo os dados da Cidasc, de janeiro a julho o Estado produziu e abateu 514,8 milhões de frangos, ampliação de 1,9% em relação à produção do mesmo período de 2023.

Suínos

Em julho, Santa Catarina exportou 72,8 mil toneladas de carne suína (in natura, industrializada e miúdos), altas de 30,7% em relação ao volume do mês anterior e de 35,5% na comparação com os embarques de julho de 2023. As receitas foram de US$174,9 milhões, altas de 35,7% na comparação com as do mês anterior e de 31,2% em relação às de julho de 2023. Esses são os melhores resultados mensais de toda a série histórica, iniciada em 1997, tanto em valor como em quantidade.

No acumulado de janeiro a julho, o estado exportou 404,2 mil toneladas de carne suína, com receitas de US$918,5 milhões – alta de 8,2% em quantidade, mas queda de 0,8% em receitas na comparação com as do mesmo período de 2023. Com os resultados do último mês, as Filipinas se consolidaram como principal destino das exportações catarinenses de carne suína neste ano, com 24,3% das receitas. Santa Catarina respondeu por 58,0% das receitas e por 56,1% do volume de carne suína exportada pelo Brasil neste ano.

De acordo com os dados da Cidasc, de janeiro a julho o Estado produziu e e destinou ao abate 10,55 milhões de suínos, alta de 0,1% em relação à produção do mesmo período de 2023.

Leite

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no primeiro semestre de 2024, as indústrias brasileiras adquiriram mais de 12 bilhões de litros de leite cru, 1,9% acima dos 11,797 bilhões de litros do primeiro semestre de 2023. A soma dessa quantidade com a do leite importado (kg lácteos convertidos em litros de leite equivalente) mostra que a oferta total de leite também foi 1,9% maior na comparação dos dois períodos.

As importações de lácteos cresceram significativamente em julho. Convertidas em litros de leite, são 244 milhões de litros de leite cru, volume superado apenas pelos 244,5 milhões de litros importados em dezembro de 1999. Com isso, nos setes primeiros meses de 2024, as importações atingiram o equivalente a 1,320 bilhão de litros de leite cru, 6,8% acima das importações de 1,236 bilhão de litros do mesmo período de 2023.

Segundo dados da Epagri/Cepa, em agosto, pela primeira vez em 2024, o preço médio pago aos produtores catarinenses foi inferior ao do mês anterior. Ainda assim, é o segundo mês consecutivo de preço maior do que o registrado no mesmo mês de 2023. Conforme o analista de Socioeconomia, Tabajara Marcondes, há tendência de novas quedas para os próximos meses, mas é improvável que os valores repitam os baixos patamares dos últimos meses do ano passado.

Agronegócio

Feira AgroPonte encerra 15ª edição com público próximo de 110 mil visitantes

Evento ampliou estrutura, recebeu novos públicos e movimentou negócios, encontros e oportunidades para o agronegócio durante cinco dias em Criciúma

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A 15ª Feira AgroPonte chegou ao fim neste domingo, dia 16, depois de cinco dias de programação no Pavilhão José Ijair Conti, em Criciúma. Considerada a maior edição da história do evento, a feira recebeu um público próximo de 110 mil pessoas e reuniu produtores rurais, agricultores familiares, empresas, criadores, profissionais do setor e visitantes de diferentes regiões.

A programação contou com exposição de mais de 300 animais, julgamentos das raças Nelore e Brahman, apresentações equestres, Arena de Equoterapia, Rodada de Negócios da Agricultura Familiar, participação de mais de 250 empresas expositoras e atividades voltadas à agricultura familiar, tecnologia e indústria.

Uma das novidades desta edição foi o espaço A Cultura do Homem do Campo, instalado no Ginásio Municipal. O ambiente recebeu apresentações culturais e musicais ao longo dos cinco dias e foi bem recebido pelo público. Com a ampliação da área ocupada pela feira, a circulação pelos espaços também ficou mais confortável.

Para a diretora da NossaCasa Feiras e Eventos, Jaqueline Backes, a edição mostrou que a ampliação da estrutura acompanhou uma mudança no perfil do público. “Percebemos uma presença muito forte dos agricultores nesta edição, especialmente nos primeiros horários da tarde durante os dias de semana. Como tivemos períodos de chuva, muitos produtores acabaram conseguindo deixar o trabalho na propriedade e vieram para a feira. Também recebemos um público muito diverso e tivemos um retorno muito positivo sobre o novo espaço da Cultura do Homem do Campo e sobre a circulação pela feira”, avalia.

Feira gera negócios e também cria novos produtos

O resultado de uma feira nem sempre aparece apenas na negociação realizada durante os cinco dias. Um exemplo está na história da empresa Januário, de Turvo, que participa da Feira AgroPonte há oito anos.

Em 2024, durante a feira, um produtor apresentou à equipe uma ideia para uma máquina que pudesse atender a uma necessidade específica de propriedades da Serra catarinense. A empresa decidiu desenvolver o equipamento e, depois de testes e ajustes, levou a solução pronta para a edição de 2026.

Trata-se de um atomizador com capacidade para 1.500 litros, desenvolvido para substituir o conjunto formado por trator e tanque de arrasto em determinadas operações, especialmente em áreas de difícil acesso. “Ele veio aqui, conversou com a gente e disse que precisava tirar alguns tratores da lavoura e acreditava que, juntando duas ideias, seria possível fazer um atomizador. A gente iniciou o desenvolvimento, tentou, errou até chegar ao acerto e hoje temos a máquina pronta”, conta Nelson Rezin, consultor de vendas da Januário.

O produtor que apresentou a sugestão já adquiriu a máquina. Outros equipamentos já foram vendidos e estão em produção ou foram entregues, com clientes inclusive de fora de Santa Catarina.

Para Rezin, a experiência mostra como o contato com os produtores durante a feira pode influenciar diretamente o desenvolvimento de novos produtos. “É uma feira que soma muito para nós. A gente não pensa mais somente em vender máquinas durante a feira, mas em conhecer clientes, levantar demandas e depois prospectar os negócios. Às vezes, uma conversa aqui vira um novo produto para a empresa”, afirma.

Resultado dos negócios será divulgado posteriormente

O volume financeiro movimentado pela 15ª Feira AgroPonte ainda está sendo levantado. A organização realiza uma pesquisa junto aos expositores para reunir os resultados e deve  divulgar os números consolidados nos próximos dias.

Para Jaqueline, o resultado da edição também precisa ser observado a partir dos contatos e oportunidades criados durante o evento. “Uma feira desse tamanho não se resume ao que acontece nos corredores durante os cinco dias. Muitos negócios começam aqui e continuam depois, assim como novas parcerias e ideias. O que queremos é que o produtor, a empresa, o expositor e o visitante saiam daqui levando algum resultado”, destaca.

Data de 2027 já está agendada

A próxima edição da Feira AgroPonte já tem data marcada. A 16ª edição será realizada de 11 a 15 de agosto de 2027, novamente no Pavilhão José Ijair Conti, em Criciúma.

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Agronegócio

Feira AgroPonte reúne animais de alto padrão nos julgamentos de Nelore e Brahman

Campeões das duas raças foram definidos após avaliações técnicas realizadas por jurado credenciado pela ABCZ

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Os julgamentos das raças Nelore e Brahman movimentaram a programação pecuária da 15ª Feira AgroPonte nesta quinta e sexta-feira, dias 14 e 15 de agosto. Criadores de diferentes regiões levaram seus animais para a pista de julgamento e apresentaram exemplares que, segundo o jurado da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), Felipe Afonso de Souza, estão no mesmo nível dos animais encontrados nas principais exposições do país.

“Me surpreendeu a qualidade dos animais aqui, tanto da raça Nelore quanto da raça Brahman. Muitos animais se enquadram dentro dos padrões das suas determinadas raças. Os campeões daqui não perdem em nenhum quesito para os campeões no Brasil afora”, avalia Felipe.

Avaliação considera diferentes características

De acordo com o médico-veterinário Marcelo Pedroso, que também apresenta os julgamentos, durante o julgamento, os animais são analisados a partir de um conjunto de características específicas de cada raça. A avaliação começa pela caracterização racial, que considera os atributos que dão identidade ao Nelore e ao Brahman.

Também são observados aspectos como desenvolvimento muscular, crescimento, precocidade de carcaça, precocidade sexual, dimorfismo sexual e aprumos, que estão relacionados à forma como o animal se movimenta e se posiciona. “É um conjunto de características que a gente procura identificar nos melhores animais que representam aquela raça, naquela categoria, naquela idade. E aqui foram muito bem representados, tanto pelas fêmeas quanto pelos machos”, explica o jurado.

Segundo Felipe, a evolução da pecuária catarinense também pode ser percebida na qualidade dos animais apresentados na pista. “É muito importante ver Santa Catarina fortalecida e uma evolução. Espero poder voltar aqui mais vezes para acompanhar o desempenho desses animais, tanto os jovens quanto os adultos, que têm muita qualidade.”

Nelore abriu rodada de julgamentos

O primeiro julgamento foi da raça Nelore, com avaliação das categorias de fêmeas e machos. Entre as fêmeas, a Grande Campeã foi a ISPU 6928, da Cabanha Trevo D’Agua. A Reservada foi a FHGNB 1595, também da Cabanha Trevo D’Agua.

Nos machos, o título de Grande Campeão ficou com o LMW 795, da Fazenda Scarpari e Araucária da Fé. O Reservado foi o ETP 208, do Cerro Azul.

Brahman encerra julgamentos

Na sexta-feira, foi a vez da raça Brahman entrar na pista. A Grande Campeã entre as fêmeas foi a AAB 192, da Águas Frias. A AAB 203, também da Águas Frias, ficou com o título de Reservada.

Entre os machos, o Grande Campeão foi o BPAR 1065, da Cabanha Bez Batti. O animal já havia sido apresentado na Feira AgroPonte como um dos destaques da pecuária da edição. O título de Reservado ficou com o WRRB 1629, também da Cabanha Bez Batti.

Categorias especiais valorizam animais adultos

Além das categorias previstas no regulamento oficial, a Feira AgroPonte conta desde 2024 com duas categorias de incentivo: Gran Sênior e Gran Matriz. Segundo o diretor da Nossacasa Feiras e Eventos e idealizador da Feira AgroPonte, Willi Backes, a categoria Gran Sênior é destinada a machos com idade superior a 36 e até 120 meses, desde que apresentem laudo de exame andrológico positivo e estejam aptos à reprodução. Já a Gran Matriz contempla fêmeas com mais de 36 meses que estejam com cria ao pé, prenhes ou em regime de colheita de embriões ou oócitos.

Pelo segundo ano consecutivo, o título de Gran Sênior ficou com o touro PVT 115 Falcão, conhecido como Hércules, da Cabanha Talismã, de Içara, do pecuarista Adilor Loli Viana. O animal, que atualmente detém o título de mais pesado do Brasil, voltou à pista da Feira AgroPonte após conquistar o mesmo reconhecimento na edição anterior. Já quem levou o título de Gran Matriz foi da Cabanha Talismã, BPAR 965.

Genética catarinense ganha espaço na pista

A presença de animais de alto padrão genético nos julgamentos reforça o trabalho realizado pelos criadores catarinenses e também amplia a visibilidade dos rebanhos produzidos no Estado. 

Para Felipe Afonso de Souza, que é médico veterinário e atua como jurado credenciado pela ABCZ desde 2013, a experiência na Feira AgroPonte mostrou uma evolução consistente dos animais apresentados. “Estou muito feliz pelo que vi aqui. Tanto no Nelore quanto no Brahman, encontramos animais de muita qualidade, que representam muito bem suas raças”, afirma.

A 15ª Feira AgroPonte segue até domingo, dia 16, no Pavilhão José Ijair Conti, em Criciúma. Além dos julgamentos, o público pode visitar a exposição de animais, conferir as empresas expositoras, a agricultura familiar, as apresentações equestres, a Arena de Equoterapia e o espaço A Cultura do Homem do Campo.

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Agronegócio

Feira AgroPonte coloca produtores e compradores frente a frente para fechar negócios

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A Rodada de Negócios da Agricultura Familiar da Feira AgroPonte reuniu nesta quinta-feira, dia 13, produtores rurais, supermercadistas e permissionários da Ceasa em busca de novas oportunidades comerciais. Realizado durante a feira, o encontro aproxima quem produz de quem compra e cria um ambiente para apresentação de produtos, negociação e construção de parcerias.

A rodada tem como objetivo promover a prospecção de negócios entre produtores da agricultura familiar e empresas que atuam na comercialização de alimentos. Participam supermercadistas, atacadistas e permissionários da Ceasa, que têm contato direto com os produtores e conhecem os produtos disponíveis na região.

Para o gerente regional da Epagri em Criciúma, Edson Borba, a proposta é ampliar as possibilidades de comercialização para os produtores. “Esta iniciativa consolida um ambiente estratégico onde a troca de experiências e o fechamento de acordos comerciais ocorrem de forma integrada e eficiente”, afirma.

Contato direto facilita negociações

Para quem compra, estar frente a frente com o produtor facilita a avaliação dos produtos e permite entender melhor a origem e as características daquilo que chega ao consumidor. É o caso de Fernando Elias Pereira, comprador do MM Rosso Supermercados. 

Segundo ele, a proximidade ajuda a atender demandas específicas do mercado e também fortalece a comercialização de produtos regionais. “O contato direto com o produtor é fundamental para o nosso setor. Essa proximidade permite conhecer a origem e a qualidade da mercadoria sem a necessidade de intermediários, o que fortalece nossa cadeia de suprimentos. Além de otimizar a negociação, esse vínculo nos permite suprir demandas específicas e atender às necessidades do mercado com produtos mais frescos e regionais, beneficiando toda a economia local.”

Do outro lado da negociação, a agricultora e proprietária de uma agroindústria de farinha de mandioca e polvilho, Ana Cláudia Silveira Emerim, destaca a agilidade proporcionada pelo encontro presencial. “Para mim, a rodada de negócios é essencial pela agilidade que proporciona. O contato presencial facilita o estabelecimento de parcerias, eliminando etapas burocráticas e criando um reconhecimento imediato por parte do comprador”, reforça.

Negociações continuam depois da rodada

A experiência das edições anteriores mostra que os contatos iniciados durante a rodada podem se transformar em negócios efetivos. A negociação não termina necessariamente naquele momento: produtores e compradores seguem em contato depois do encontro, dando continuidade às tratativas e, em muitos casos, concretizando acordos comerciais.

Para a diretora da Nossacasa Feiras e Eventos, Jaqueline Backes, esse é um dos objetivos da iniciativa. “A rodada cria uma aproximação que dificilmente aconteceria da mesma forma. É uma oportunidade para o produtor apresentar seu trabalho diretamente a quem compra e para as empresas conhecerem novos fornecedores da região”, afirma.

A Rodada de Negócios é uma parceria entre AgroPonte, Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Ceasa e Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc).

A 15ª Feira AgroPonte segue até domingo, dia 16, no Pavilhão José Ijair Conti, em Criciúma. Além da agricultura familiar e da Rodada de Negócios, a feira reúne cerca de 250 empresas expositoras, mais de 300 animais, tecnologia, implementos, indústria, apresentações equestres, julgamentos das raças Nelore e Brahman e o espaço A Cultura do Homem do Campo.

A Feira AgroPonte acontece de 12 a 16 de agosto, no Pavilhão José Ijair Conti, em Criciúma (SC).

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