Blog Anderson de Jesus
Falta de motoristas já paralisa 8 mil caminhões em Santa Catarina; insegurança nas estradas é o principal motivo
Criciúma já conta com 30 a 40 mulheres na função; sindicato patronal não vê solução para a crise nem a médio prazo
A escassez de motoristas de caminhão já paralisa cerca de 8 mil veículos em Santa Catarina, segundo levantamento apresentado pelo presidente do sindicato patronal do transporte de cargas em entrevista à Rádio Cidade em Dia. O número foi calculado a partir de diagnóstico conjunto dos 13 sindicatos que compõem a federação estadual do setor.
“Chegamos a pertinho de 8 mil caminhões parados por falta de motorista”, afirmou o dirigente, que destacou que a falta de profissionais também afeta funções como conferentes e arrumadores de carga, mas pesa mais sobre a condução.
Insegurança nas estradas
Para o presidente do sindicato, a violência nas rodovias brasileiras é hoje o maior desestímulo à profissão. Pais que antes incentivavam os filhos a seguir carreira como motoristas passaram a desaconselhar a atividade diante do risco de assaltos e sequestros para roubo de carga. Somente na região de Curitiba, mais de 15 motoristas experientes deixaram a profissão após sofrerem assaltos — alguns chegaram a ser mantidos amarrados em matagais durante os crimes.
A remuneração também pesa. Motoristas mais experientes da região chegam a faturar entre R$ 8 mil e R$ 14 mil por mês, mas outros recebem entre R$ 2,5 mil e R$ 3 mil — valor considerado insuficiente para compensar viagens que mantêm o profissional longe de casa por períodos de uma semana a um mês, comuns nos trajetos para o Norte e o Nordeste do país.
A proibição das seguradoras de transporte de que motoristas levem familiares na cabine também interrompeu um costume que aproximava filhos da profissão dos pais. “Os filhos iam pegando gosto pela profissão. Mas há muito tempo não se faz mais isso”, explicou o dirigente. Parte dessa geração tem migrado para a área de tecnologia, vista como mais confortável e rentável.
Mulheres ocupam parte da lacuna
Como resposta parcial à escassez, empresas do setor têm contratado mulheres para a função, tanto em operações urbanas quanto em viagens de longa distância. Criciúma já conta com cerca de 30 a 40 mulheres atuando como motoristas de caminhão de viagem — número que, segundo o presidente, ainda está distante de suprir a demanda da região.
Sem solução à vista
O dirigente afirmou que o tema é recorrente nas discussões da federação estadual e da confederação nacional, em Brasília, mas que não há proposta concreta para reverter o quadro nem a médio prazo. “Não se vê solução nem a médio prazo para isso”, declarou.
Para ele, a precariedade das estradas agrava o cenário. Citou o trecho do Morro dos Cavalos, em Palhoça, e defendeu a construção de uma pista adicional como alternativa mais rápida e barata ao projeto de túnel em debate no estado — segundo estimativa de um técnico contratado pelo setor, a opção demandaria cerca de 10% do tempo e do custo da obra do túnel. A demora nas obras de infraestrutura, somada a interdições e acidentes, já provoca atrasos na entrega de matéria-prima às indústrias catarinenses.
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Morro da Fumaça cria garantia de até 10% para empresas que executam obras públicas
Lei proposta pelo vereador Carlos Sweder prevê caução sobre o valor dos contratos. Medida busca reduzir riscos de abandono e atrasos nas obras municipais
O município de Morro da Fumaça passou a contar com uma nova regra para ampliar a segurança na contratação e execução de obras e serviços de engenharia. A legislação, proposta pelo vereador Carlos Sweder, foi aprovada pela Câmara de Vereadores e sancionada pelo prefeito Eduardo Guollo.
A medida estabelece que empresas vencedoras de licitações para execução de obras públicas poderão ser obrigadas a apresentar uma garantia equivalente a 5% a 10% do valor do contrato.
O percentual será definido pelo município conforme a complexidade e as características de cada obra.
Caução será devolvida ao final do contrato
De acordo com o vereador Carlos Sweder, a garantia tem como objetivo aumentar a responsabilidade das empresas contratadas e reduzir o risco de paralisações durante a execução dos serviços.
Pela nova regra, após vencer a licitação, a empresa deverá apresentar a caução para que o contrato seja homologado, conforme os critérios estabelecidos na regulamentação.
Como exemplo, em uma obra avaliada em R$ 1 milhão, a garantia poderá chegar a R$ 100 mil, caso seja estabelecido o percentual máximo de 10%.
Se a empresa concluir o serviço conforme as condições previstas no contrato, o valor será devolvido ao final da execução.
Medida busca evitar abandono de obras
Segundo Sweder, a iniciativa surgiu a partir de situações em que empresas vencedoras de licitações iniciam os trabalhos, mas reduzem o ritmo ou deixam de executar a obra antes da conclusão.
O vereador também aponta que, em alguns casos, empresas solicitam aditivos durante a execução dos contratos, situação que, segundo ele, pode provocar atrasos e transtornos para o município e para a população.
A intenção da nova legislação é criar um mecanismo adicional de proteção ao dinheiro público e estimular o cumprimento dos prazos e das especificações previstas nos contratos.
Executivo ainda precisa regulamentar a lei
Apesar de já ter sido sancionada pelo prefeito, a legislação ainda depende de regulamentação pelo Poder Executivo para definir como será aplicada nas próximas licitações.
A expectativa é que a nova regra passe a integrar os procedimentos de contratação de obras e serviços de engenharia realizados pelo município após essa regulamentação.
Para Sweder, a medida pode contribuir para reduzir atrasos e garantir maior previsibilidade na execução das obras públicas de Morro da Fumaça.
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Câmara de Araranguá reduz repasse previsto para 2027 após pedido de entidades
A Câmara de Vereadores de Araranguá terá um orçamento menor em 2027. Os vereadores aprovaram a redução do percentual de repasse ao Legislativo de 7% para 6%, medida que representa uma diminuição estimada em mais de R$ 2 milhões nos recursos previstos para a Casa.
A mudança atende a uma solicitação do Comitê das Entidades de Araranguá, que reúne representantes de diferentes setores da sociedade e defende a redução dos recursos destinados ao Legislativo.
Entre as entidades que participaram da discussão estão ACIVA, OAB, SINDICONT, CDL, SINDILOJAS, Rotary Club de Araranguá, lojas maçônicas, Sindicato Rural, AESC, UAMA, Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Lions Clube, AMESC, ARATEC, SAMAE, Associação do Hospital Regional e UFSC Campus Araranguá.
Redução vale para 2027
O líder de governo, vereador Nelson Soares, explicou que a mudança será aplicada especificamente no próximo exercício. Segundo ele, os 7% previstos constitucionalmente representam um limite máximo de repasse, e não uma obrigação de utilização integral desse percentual.
A legislação permite que o município estabeleça um índice inferior, desde que sejam garantidos recursos suficientes para o funcionamento da Câmara.
De acordo com os cálculos apresentados pelo vereador, mesmo com a redução de um ponto percentual, o Legislativo terá condições de manter despesas como salários, vencimentos e custos administrativos.
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Câmara de Criciúma inicia procedimento contra vereador Amaral
Conselho de Ética e Decoro Parlamentar definiu presidente, secretária e integrantes da Comissão de Inquérito que conduzirá os trabalhos
O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Criciúma iniciou nesta segunda-feira (14) o procedimento que envolve o vereador Valdeci Bittencourt, o Amaral (PSD). Na primeira reunião do colegiado, foram definidos os responsáveis pela condução dos trabalhos e os três parlamentares que irão integrar a Comissão de Inquérito.
O vereador Obadias Benones (PL) foi escolhido por unanimidade para presidir o Conselho. A secretaria ficou sob responsabilidade da vereadora Gorete Mendes Corrêa Boarolli (PSDB).
Comissão de Inquérito
Por meio de sorteio, foram definidos os três vereadores que irão compor a Comissão de Inquérito: Marcos Machado, o Marquinho (MDB), Aldinei Potelecki (Republicanos) e Neri Xavier (União).
Também fazem parte do Conselho de Ética os vereadores Júlio Bittencourt (PT), Antonio Manoel, o Toninho da Imbralit (PSD), Valmir Dagostim, o Miri (PP), além dos integrantes já definidos para a condução do procedimento.
A Comissão terá suporte técnico da Procuradoria e da assessoria jurídica da Câmara, que acompanharão o processo conforme as regras estabelecidas pelo Regimento Interno e pelo Código de Ética e Decoro Parlamentar.
Amaral terá prazo para defesa
O procedimento foi aberto em razão de uma manifestação feita por Amaral durante discurso na Tribuna da Câmara. Após ser pessoalmente notificado, o vereador terá prazo de 10 dias para apresentar sua defesa.
A contagem desse período começa somente após a efetivação da notificação. A partir daí, o processo seguirá as etapas previstas nas normas internas do Legislativo.
O presidente do Conselho de Ética afirmou que o colegiado seguirá o rito estabelecido pela Câmara.
“Vamos cumprir conforme o nosso Regimento Interno, rigorosamente tudo que a Casa pede, junto com a Procuradoria”, declarou Obadias Benones.
A definição dos próximos passos ocorrerá conforme o cumprimento dos prazos e demais procedimentos previstos no Código de Ética e Decoro Parlamentar.
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