Saúde
Informação e autocuidado marcam campanha do Outubro Rosa na SATC
Momento de conversa com psicóloga, promoveu reflexão sobre os impactos emocionais do câncer de mama e a importância do cuidado com a saúde
O Outubro Rosa é um período de conscientização e foco na prevenção ao câncer de mama. Além disso, é um momento em que o cuidado com a saúde e com o bem estar ganha destaque. Esse foi o foco da palestra de encerramento da campanha do Outubro Rosa na SATC. O momento foi conduzido pela Psicóloga Camila Molinari e trouxe o tema “Cuidar também é olhar para si”.
O encontrou trouxe os impactos emocionais e sociais que envolvem o diagnóstico e a doença, reforçando a importância do autocuidado, da atenção à saúde e da busca por assistência profissional. “Conversamos sobre o câncer de mama, mas além disso, foi um momento para fazer um aviso. Pois este mês vem como uma conscientização e um lembrete para que as pessoas tirem um momento para olhar para essa área e para a saúde como um todo”, expressa a palestrante Camila.
A ação faz parte de uma campanha mais ampla dentro da instituição, a Jornada Consciente ao Cubo. As atividades estão acontecendo durante três meses (setembro, outubro e novembro) e criam uma dinâmica de participação e engajamento ao longo das respectivas campanhas.
“Por meio de atividades educativas e interativas, buscamos ampliar o acesso à informação, estimular a reflexão e incentivar atitudes de autocuidado que façam parte da rotina das pessoas, não apenas durante o mês de outubro”, complementa o analista de Gestão de Pessoas da SATC, Guilherme Nunes Barbosa.
A abordagem leve, educativa e interativa realizada com os colaboradores, tornam as campanhas de conscientização mais dinâmicas e participativas. “Com os quizzes, desafios e demais atividades, buscamos sair do formato tradicional de apenas transmitir informações, incentivando os colaboradores a participar, refletir e ampliar seus conhecimentos. É uma maneira de trabalhar assuntos importantes de forma mais leve e acessível, sem perder a seriedade que os temas exigem”, explica o profissional.
Cuidado dentro e fora do trabalho
Segundo Barbosa, o ambiente de trabalho é um espaço importante para estimular essa reflexão, já que grande parte do tempo das pessoas é dedicada às atividades profissionais. “Acreditamos que cuidar das pessoas também significa promover informação, conscientização e qualidade de vida. O ambiente de trabalho é um espaço importante para estimular essa reflexão, já que grande parte do nosso tempo é dedicado às atividades profissionais”, frisa.
A proposta é que as iniciativas tenham continuidade no dia a dia dos colaboradores, contribuindo para a construção de hábitos mais conscientes também fora da instituição. “Mais do que promover ações pontuais, queremos estimular uma reflexão contínua sobre prevenção, autocuidado e valorização da vida. Nossa expectativa é que os conhecimentos compartilhados ao longo da jornada ultrapassem o ambiente de trabalho e também sejam levados para as famílias e para a comunidade”, completa Barbosa.
Saúde
Meninas aprendem sobre saúde menstrual em escola de Cocal do Sul
Atividade reuniu cerca de 50 estudantes para conversar sobre menstruação, mudanças no corpo e cuidados durante a adolescência.
A menstruação, as mudanças da puberdade e os cuidados com o corpo foram temas de uma atividade que reuniu cerca de 50 meninas da Escola Demétrio Bettiol, em Cocal do Sul.
O encontro faz parte do programa Saúde Menstrual na Escola, desenvolvido pela Secretaria de Saúde para levar informação e esclarecer dúvidas das estudantes.
A secretária de Saúde, Giovana Galato, explica que falar sobre o assunto desde cedo ajuda as meninas a passar por essa fase com mais segurança. “Muitas meninas chegam à primeira menstruação sem entender direito o que está acontecendo com o corpo. Queremos que elas tenham informação, possam tirar dúvidas e saibam que essas mudanças são naturais. A escola também é um espaço importante para esse aprendizado”, afirma.
Durante a atividade, foram abordados o funcionamento do ciclo menstrual, a higiene íntima e as transformações físicas e emocionais da puberdade. As estudantes também receberam um material educativo com o tema “Meu corpo, minha transformação”.
A responsável pelo projeto na Secretaria de Saúde, Daniela Maccari, explica que a proposta é tratar desses assuntos de maneira simples, respeitando a idade das participantes e o tempo de desenvolvimento de cada menina.
Saúde
Profissionais da saúde de Içara participam de capacitação sobre insulinoterapia
Capacitação abordou a substituição da insulina NPH pela Glargina e os cuidados com pacientes de maior risco de hipoglicemia
Médicos e enfermeiros das unidades de saúde de Içara participaram de um treinamento sobre insulinoterapia, com foco na atualização de conhecimentos e no aprimoramento do atendimento a pacientes com diabetes.
A capacitação contou com a participação da médica endocrinologista dra. Érika Ferreira Rodrigues Tesa e da enfermeira Fernanda Machado de Souza, que compartilharam conhecimentos e orientações importantes para o manejo da insulinoterapia na prática clínica.
De acordo com a coordenadora da Atenção Básica da Secretaria de Saúde de Içara, Shirley Gazola, o treinamento foi realizado em razão da substituição da insulina NPH pela insulina Glargina, um tipo de insulina análoga de ação prolongada, com duração aproximada de 20 a 24 horas. Por apresentar um período de ação mais longo, o medicamento permite, em geral, uma aplicação diária e está associado a um menor risco de hipoglicemia em comparação à insulina NPH, conforme as características de cada tratamento.
Neste primeiro momento, a capacitação também teve atenção especial aos grupos considerados de maior risco para episódios de hipoglicemia, como crianças e pessoas com mais de 70 anos, com o objetivo de orientar os profissionais sobre os cuidados necessários durante a transição entre os medicamentos.
Além das orientações sobre o uso da insulina, o treinamento abordou o funcionamento da farmácia e os procedimentos relacionados à entrega de insumos utilizados no tratamento. A iniciativa busca alinhar as equipes quanto aos fluxos de atendimento e à assistência oferecida aos pacientes nas unidades de saúde do município.
Insulinoterapia: entenda
A insulinoterapia consiste na administração de insulina para auxiliar no controle dos níveis de glicose no sangue e é utilizada no tratamento de pessoas com diabetes que necessitam desse recurso. A atualização dos profissionais contribui para o manejo adequado do tratamento e para a qualificação da assistência prestada à população.
Saúde
Pesquisa da Unesc investiga saúde mental de mães no pós-parto em Criciúma
Estudo do Laboratório de Psiquiatria Translacional começou em 2025, envolve seis unidades básicas de saúde e já reúne cerca de 60 participantes
Quando um bebê nasce, os olhares naturalmente se voltam para ele. Como está? Está mamando? Está dormindo? Está ganhando peso? Entre tantos cuidados, uma pergunta pode acabar ficando em segundo plano: como está a mãe?
A saúde mental no período após o parto vem ganhando espaço nas pesquisas realizadas no Brasil e também está no foco de um estudo desenvolvido pela Unesc, em Criciúma. O tema integra o Nascer no Brasil, levantamento coordenado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que está em sua segunda edição. O Nascer no Brasil II teve coleta de dados realizada entre 2021 e 2025, em 395 maternidades de todo o país, e investiga sintomas de depressão, ansiedade e estresse pós-traumático entre mulheres no período pós-parto.
A iniciativa dá continuidade ao primeiro estudo nacional, realizado entre 2011 e 2012, que identificou cerca de 26% de casos prováveis de depressão entre as mulheres avaliadas. Outro levantamento, baseado em dados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2019 e publicado em 2025, encontrou sintomas depressivos em 34,1% das 986 mulheres no período pós-parto analisadas. Os resultados não são diretamente comparáveis, já que os estudos consideram populações e instrumentos de avaliação diferentes.
É nesse cenário que a Unesc desenvolve uma investigação dedicada a compreender de forma mais ampla a saúde mental das mulheres no puerpério, considerando sintomas depressivos, ansiedade, estresse, sono, rotina, apoio social e funcionamento psicossocial.
Um olhar para a mãe
Realizada pelo Laboratório de Psiquiatria Translacional da Unesc, a pesquisa começou em julho de 2025 e envolve seis Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Criciúma. Cerca de 60 mulheres já participam do estudo, cuja coleta seguirá até julho de 2027.
Podem participar mulheres com mais de 18 anos, incluídas até 30 dias após o parto. Durante as entrevistas, elas respondem a questionários sobre aspectos sociodemográficos, gestação, parto, condições de saúde do bebê, apoio emocional, qualidade de vida e funcionamento, além de instrumentos específicos para rastrear sintomas de depressão, ansiedade e estresse.
Entre eles está a Escala de Depressão Pós-Natal de Edinburgh (EPDS). A professora e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde (PPGCS), Gislaine Zilli Réus, explica que o instrumento não substitui uma avaliação clínica. “Ela é uma escala padronizada, mas ela não dá diagnóstico. Ela faz uma triagem”, esclarece.
A partir dos resultados, as participantes são divididas em dois grupos, ou seja, aquelas com triagem positiva para sintomas de depressão pós-parto e aquelas com triagem negativa.
Resultados chamam atenção
Embora a pesquisa ainda esteja em andamento, os primeiros dados já começam a revelar diferenças entre os grupos. De acordo com Gislaine, aproximadamente metade das mulheres entrevistadas até agora apresentou triagem positiva. “A gente não esperava encontrar tantas mulheres com triagem positiva e tantas alterações”, conta.
Entre os resultados observados estão diferenças na percepção de apoio social. As mulheres com triagem positiva relatam perceber menos suporte ou considerar inadequado o apoio recebido. Também aparecem diferenças relacionadas à amamentação, com maior dificuldade e menor tempo de aleitamento entre essas participantes.
O grupo com triagem positiva também apresentou maior intensidade de sintomas de depressão e ansiedade, alterações nos ritmos biológicos, menor número de horas de sono, pior qualidade do sono e diferenças relacionadas ao funcionamento.
Outro aspecto observado envolve experiências vividas na infância. As mulheres com triagem positiva apresentaram maior frequência de relatos relacionados a traumas, incluindo negligência emocional. A pesquisa também encontrou relação entre essas experiências e a percepção de apoio social na vida atual.
Os resultados são preliminares e fazem parte de uma investigação que continuará recebendo participantes e aprofundando as análises.
Quando a mãe também precisa ser vista
Para Gislaine, olhar para a saúde da mulher nesse período é necessário porque a atenção costuma estar concentrada no bebê. “Todo mundo olha para o bebê. E a gente esquece da mãe”, afirma.
O nascimento de uma criança envolve mudanças hormonais, físicas, emocionais e sociais. Ao mesmo tempo em que a mulher passa a cuidar de alguém que depende dela em tempo integral, pode enfrentar dificuldades para dormir, amamentar, reorganizar a rotina e lidar com as próprias emoções.
Essa percepção também aparece na experiência de Larissa Cristine Pereira, integrante da equipe de pesquisa. “O que mais me chamou a atenção é que os transtornos mentais, esse sofrimento, ele é muitas vezes não visto, e principalmente na mulher, porque quando a gente fala de pós-parto, é um momento em que todas as atenções estão voltadas para o bebê. Então todo mundo quer saber como o bebê está, até como foi o parto, e aquela mãe e aquela mulher acaba sendo esquecida nesse processo”, observa.
Segundo Larissa, existe ainda uma expectativa de que a chegada de um bebê esteja necessariamente associada à felicidade. “A gente tem uma concepção muito errada de que o pós-parto e a vinda de um bebê só trazem coisas felizes e que infelizmente não é a realidade de todas as mulheres”, afirma.
Uma experiência que também trouxe respostas
Mãe de três filhos, Andréa Cerqueira de Melo participou da pesquisa após o nascimento de Alice, hoje com 11 meses. Mesmo já tendo vivido outras gestações, ela conta que a chegada da filha representou um novo começo.
“Você está entrando em um mundo novo. Mesmo para mim, que já tenho outros dois filhos, eu estava recomeçando”, relata.
A gravidez aconteceu de forma inesperada, mas foi acompanhada de expectativa e alegria. Ao mesmo tempo, Andréa viveu um período emocionalmente intenso. Quatro dias depois do nascimento da filha, perdeu o pai.
A gestação havia sido dividida entre os cuidados com ele no hospital e a proximidade do nascimento da bebê. Depois do parto, ela quis compreender melhor o que estava sentindo e se era possível conciliar emoções tão diferentes.
“Eu queria entender qual emoção estava me movimentando mais e se eu conseguiria administrar as duas coisas, a alegria e o luto”, conta. Em meio à rotina de cuidados com Alice, Andréa também percebeu uma necessidade que muitas vezes fica escondida.
“Você quer ser vista com seu bebê, quer que as pessoas olhem para ele, elogiem, mas você também quer que vejam você. Eu precisava de atenção”, lembra.
Para ela, participar da pesquisa acabou sendo uma experiência de troca. “Acabou sendo uma contribuição dupla. Não só da minha parte para a pesquisa, mas também da pesquisa para mim”, conta.
Da pesquisa à formação médica
A pesquisa nasceu inicialmente como um Trabalho de Conclusão de Curso desenvolvido por Larissa e uma colega e, posteriormente, ganhou uma dimensão maior dentro do Laboratório de Psiquiatria Translacional.
Hoje, ela participa do contato com as UBSs, do recrutamento das puérperas, das entrevistas e da coleta de sangue. Para Larissa, a experiência também tem contribuído para sua formação profissional.
“Como futura médica, eu acho muito importante entender que a saúde mental precisa ser perguntada ativamente. Precisa ser questionada, precisa ser um tópico da nossa consulta, porque muitas vezes isso é algo que as pessoas carregam sozinhas e às vezes até menosprezam esses sentimentos”, relata.
A vivência, segundo ela, também amplia o olhar para além da saúde mental materna. “Acredito que eu vou conseguir olhar muito melhor para a saúde mental não só das mulheres, mas do público em geral e acolhê-los e instruí-los”, completa.
O cuidado começa também pela escuta
O médico João Vítor Santana Cecchetto Mendes, que atua em uma das unidades de saúde envolvidas no estudo, acompanha de perto essa realidade. Para ele, muitas mulheres acabam deixando de olhar para si mesmas diante das novas responsabilidades.
“Muitas deixam de viver para elas, e vem o atraso do diagnóstico, a exclusão pessoal, a sua não percepção de si mesma. Essa pesquisa espero que venha muito para melhorar e fazer com que elas olhem para si”, afirma.
A pesquisa também considera a importância da rede de apoio. Familiares, companheiros e amigos podem fazer diferença no período pós-parto, mas nem todas as mulheres contam com uma rede disponível. Por isso, a equipe defende um olhar que considere a mulher de forma integral.
Próximas etapas
Além das entrevistas e questionários, a pesquisa realiza a coleta de sangue das participantes. As amostras são processadas inicialmente nos laboratórios da Unesc e armazenadas para análises bioquímicas futuras.
A intenção é investigar possíveis marcadores biológicos que possam ajudar a compreender melhor os fatores relacionados às alterações psicológicas observadas.
Para Gislaine, o trabalho precisa ultrapassar os limites da universidade e retornar para os serviços que acompanham essas mulheres.
“O cientista sempre pensa em gerar dados e publicar esses resultados para a comunidade científica. Mas a gente também quer levar esses dados para a unidade básica de saúde, mostrar para a nossa comunidade e até para os órgãos públicos que está acontecendo isso”, explica.
Compreender o que acontece com as mulheres no período pós-parto também significa ampliar a atenção oferecida às famílias. E, antes de qualquer diagnóstico, existe uma atitude que pode fazer diferença, ou seja, perguntar como aquela mãe está.
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