Conecte-se conosco

Saúde

Obesidade: um desafio que vai muito além da balança

Publicado

em

A obesidade é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma doença crônica que atinge mais de 200 milhões de pessoas em todo o planeta. Mas, segundo o médico endocrinologista e professor do curso de Medicina da Unesc, Davi Francisco Machado, a compreensão sobre o tema ainda é cercada de simplificações e julgamentos. “Quem não trabalha com isso às vezes pensa: ‘ah, eu comi demais’, ‘é só eu fechar a boca e correr 10 quilômetros que resolve’. Mas não é tão simples assim”, afirma.

De acordo com o especialista, a obesidade é resultado de um conjunto de fatores. “Tem muitos aspectos genéticos, tem envolvimento com aspectos psicológicos, faixa etária, se está na menopausa ou não. Então, não é tão simples”, explica.

Além disso, a relação com a comida é um ponto importante a ser observado de perto quando o assunto é obesidade. “A gente tem um aspecto de comida afetiva, que te remete quando você era criança. Muitas vezes, você trabalhou o dia todo, chega em casa cansada. Você vai querer comer uma alface com tomate? Não, você quer uma pipoquinha, um chocolatinho gostoso que te remeteu a um dia feliz, e isso acaba sendo um ciclo”.

Para o médico, embora a herança genética tenha influência, ela não é determinante. “Exclusivamente genética, é raro. Existem síndromes específicas, mas o mais comum é ter uma história familiar de deposição de gordura. E é difícil separar o que é genético e o que é ambiental, porque a criança acaba comendo o que os pais estão comendo”, avalia.

Essa combinação de fatores explica por que o enfrentamento da obesidade exige acompanhamento médico e atenção constante. “É um fator de risco para basicamente tudo. Câncer, infarto, AVC, diabetes, hipertensão. Ele permeia quase todos os sistemas, quase todas as áreas. Uma luta que temos é mostrar para a população que a obesidade não é questão estética”, avisa.

Impactos físicos e emocionais

O excesso de peso traz repercussões diretas para o corpo e para a mente. “A gente vive em uma sociedade que luta contra a obesidade, mas valoriza muito o ‘ser magro’. É difícil ver um outdoor com uma pessoa obesa que não seja em um aspecto de doença. Então, existe essa culpa. Eu tenho pacientes que não gostam de se ver no espelho. A questão da autoestima afeta muito”, conta.

Fisicamente, a sobrecarga é constante. “Dependendo da deposição de gordura, aumenta o risco. Se a diferença abdominal é aumentada, aumenta o risco de infarto. Essa gordurinha que está aqui, também está no coração”, exemplifica o médico. 

Entre os principais desafios, o endocrinologista cita o imediatismo e o desgaste emocional. “As pessoas procuram de forma tardia. É muito comum no consultório as pessoas falarem ‘tu és a minha última esperança’. Elas já passaram por dietas muito restritivas, procedimentos desnecessários, e chegam desesperançosas”.

Segundo ele, o tratamento requer acompanhamento especializado e paciência. “Às vezes o paciente vai uma vez contigo, vai no retorno, mas, quando a expectativa dele distorce um pouquinho, ele abandona. É isso que a gente tenta mudar, para entender que estamos juntos e queremos qualidade de vida para ele”, destaca.

O endocrinologista compara o processo a um relacionamento: “Você precisa ser real, pensar a longo prazo. Esse relacionamento é contigo, com o teu corpo. Mesmo com vontade e disciplina, ainda assim é difícil. Às vezes é necessário remédio, mas precisa ser um processo a longo prazo”, frisa.

Canetas e medicamentos

Sobre o uso das chamadas canetas emagrecedoras, o médico destaca que elas foram inicialmente desenvolvidas para o tratamento do diabetes e, depois, observou-se o efeito sobre a perda de peso. “Elas atuam no estômago, dando a sensação de saciedade. São ótimas, tanto para o diabetes quanto para o peso. Só que se o teu maior problema é a ansiedade, não adianta o estômago ficar mais apertadinho. Isso vale também para a bariátrica”, explica.

O endocrinologista lembra que não há uma receita única. “Se todo mundo fica usando o mesmo remédio e se deu bem, não quer dizer que vai funcionar comigo. Isso só o teu médico vai saber te dizer. Não é uma receita de bolo” comenta, como alerta.

Entre os efeitos colaterais, ele cita o enjoo e o intestino preguiçoso. “Se você simplesmente usa o remédio sem mudar a alimentação, pode ficar desnutrido, fraco e até ir para o hospital. E se não faz atividade física, pode perder massa muscular e ficar com aquele aspecto doente”, ressalta.

Para melhores resultados a longo prazo, o professor da Unesc reforça que o tratamento da obesidade precisa ser multidisciplinar. “Cada pessoa é de um jeito diferente. Então, a equipe multiprofissional é importantíssima. O nutricionista pergunta o que tu gostas de comer, o psicólogo trabalha o aspecto emocional, e o profissional de educação física orienta o exercício. E a gente precisa destacar o trabalho do Sistema Único de Saúde. No SUS, principalmente aqui na nossa região, vários pacientes têm essa possibilidade”.

O aumento da obesidade infantil preocupa. “A criança observa o nosso comportamento. Já tive paciente que a mãe dizia que ele só comia besteira. Mas a criança não ia ao mercado. Tinha disponível em casa. Então, parte de nós termos bons hábitos, porque somos exemplos”, observa o médico.

Nos idosos, a atenção é redobrada. “É um desafio porque existe um termo que é obesidade sarcopênica, que fala da massa muscular. Esse paciente está com obesidade, mas com pouca massa muscular. Está com dor e não consegue fazer exercício. Às vezes, o paladar não está bom, ou o aposento não permite uma alimentação adequada. Por isso, é importante o carinho do cuidado com a alimentação e estimular que ele faça atividade física. Só precisa sair da zona de conforto”.

Para Davi, o processo de emagrecimento deve partir da própria pessoa. “Você quer emagrecer ou ser emagrecido? Porque no emagrecer, você está ativo nesse processo. Ser emagrecido é esperar cair do céu. Vão ter coisas que vão depender de você, mas o resultado é muito bom para mudar a tua relação com a comida, para não ter medo de comer”, completa.

O endocrinologista Davi Francisco Machado foi um dos entrevistados do programa CheckUp, da Unesc Rádio, em 2025, sob comando da jornalista Elis Amorin. Confira na íntegra:

Saúde

Curso gratuito para gestantes e acompanhantes está com inscrições abertas em Morro da Fumaça

Publicado

em

As futuras mamães fumacenses já podem se inscrever no Curso para Gestantes e Acompanhantes, promovido pelo Governo de Morro da Fumaça, por meio da Secretaria de Saúde. Os encontros serão realizados nas segundas-feiras de agosto, às 18h30, no Salão de Atos Octávio Naspolini, anexo ao Paço Municipal. A iniciativa integra a programação do Agosto Dourado, campanha dedicada à conscientização e ao incentivo ao aleitamento materno.

Durante o curso, gestantes e acompanhantes terão acesso a orientações sobre gestação, parto, aleitamento materno e cuidados com o recém-nascido. Os encontros contarão com a participação de uma equipe multiprofissional formada por ginecologista, enfermeiro, fisioterapeuta, nutricionista, psicóloga, profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e doula, que compartilharão informações e esclarecerão dúvidas sobre cada etapa da gestação e dos primeiros cuidados com o bebê.

O prefeito de Morro da Fumaça, Eduardo Sartor Guollo, destaca que a iniciativa amplia o cuidado oferecido às famílias fumacenses desde o início da gestação. “Queremos que cada gestante e sua família se sintam acolhidas e preparadas para a chegada do bebê. Nosso objetivo é que as gestantes e seus acompanhantes tenham acesso à informação de qualidade e ao suporte necessário para viver esse momento com mais tranquilidade, segurança e confiança.”

A chefe do Departamento de Atenção Primária à Saúde, Francine da Soller Teixeira, ressalta que o curso irá oferecer conhecimento e fortalecer o vínculo entre as famílias e a rede municipal de saúde. “A gestação costuma despertar muitas dúvidas, principalmente para as famílias de primeira viagem. O curso cria um espaço de acolhimento, aprendizado e troca de experiências, para que gestantes e acompanhantes se sintam mais preparados para a chegada do bebê.”

Além das palestras, os participantes receberão certificado de participação e poderão desfrutar de um coffee break ao final de cada encontro. As inscrições são gratuitas e devem ser realizadas na Unidade Básica de Saúde de referência de cada gestante. 

Agosto Dourado promove conscientização sobre a amamentação 

O curso integra a programação do Agosto Dourado, campanha dedicada à conscientização e ao incentivo ao aleitamento materno. A cor dourada simboliza o padrão ouro de qualidade do leite materno, considerado o alimento mais completo para os primeiros meses de vida por fornecer todos os nutrientes necessários para o desenvolvimento do bebê, além de fortalecer sua imunidade.

Segundo Francine, o acesso à informação faz toda a diferença para que as famílias vivenciem esse momento com mais tranquilidade. “O aleitamento materno traz benefícios para o bebê e também para a mãe. Por isso, é importante que esse tema seja abordado ainda durante a gestação, permitindo que as famílias esclareçam dúvidas, conheçam as orientações corretas e se sintam mais seguras para esse momento tão especial. O curso foi pensado justamente para oferecer esse acolhimento e essa preparação”, completa a chefe do Departamento de Atenção Primária à Saúde.

Continue Lendo

Saúde

Julho Amarelo leva orientação e testes rápidos sobre hepatites aos trabalhadores de Cocal do Sul

Publicado

em



A campanha Julho Amarelo, voltada à conscientização sobre as hepatites virais, também chegou aos ambientes de trabalho em Cocal do Sul. Como parte das ações da Secretaria de Saúde, uma equipe promoveu uma roda de conversa com colaboradores de uma empresa do município e, na sequência, realizou 33 testes rápidos para hepatites B e C.

A secretária de Saúde, Giovana Galato, explica que levar esse tipo de ação para dentro das empresas amplia o acesso à prevenção e fortalece o cuidado com a saúde do trabalhador. “As hepatites virais muitas vezes não apresentam sintomas e, por isso, o diagnóstico precoce é essencial. Além dos testes rápidos, reforçamos a importância da vacinação contra a hepatite B e da informação como ferramenta para prevenir a doença. Queremos ampliar esse trabalho e estamos à disposição de outras empresas interessadas em desenvolver ações como essa”, reforça.

Durante a atividade, a enfermeira Mascilene Brand orientou os colaboradores sobre as hepatites virais, infecções que atingem o fígado e podem ser causadas pelos vírus A, B, C, D e E. Além da palestra, os participantes puderam esclarecer dúvidas e realizar os testes rápidos.

O empresário Jucemar Silva da Rosa avalia que abrir espaço para iniciativas como essa é uma forma de demonstrar cuidado com quem faz parte da empresa. “Cuidar da empresa vai muito além da produção. Significa cuidar da saúde e da vida dos nossos colaboradores. O diagnóstico precoce salva vidas e as pessoas são o nosso maior patrimônios”,diz.

Empresas interessadas em receber palestras, orientações e ações preventivas podem entrar em contato com a Secretaria de Saúde para firmar novas parcerias e ampliar o trabalho de conscientização sobre as hepatites virais e outras doenças preveníveis.

Continue Lendo

Saúde

Palestra gratuita em Nova Veneza esclarece causas e tratamentos de dores crônicas

Publicado

em

As causas das dores crônicas e as opções de tratamento serão trabalhadas em uma palestra em Nova Veneza. O evento ocorre nesta sexta-feira (3), às 19 horas, no Palazzo Delle Acque, na área central da cidade. A iniciativa é gratuita, não requer inscrição prévia e é aberta a profissionais da saúde e à população em geral. 

A palestra será ministrada pelo neurocirurgião Dr. Franklin Reis, especialista em tratamento da dor. Durante o encontro, o profissional abordará as principais causas das dores crônicas, como as que afetam a cabeça, a coluna e os nervos, além de apresentar as opções de tratamento e destacar os avanços da medicina nessa área. 

Conforme o secretário de Saúde de Nova Veneza, Kristian Mazzucco, a ação tem como objetivo levar informação de qualidade à população, incentivar o cuidado com a saúde e orientar sobre as possibilidades de tratamento. A iniciativa também busca aproximar a comunidade dos profissionais da saúde e esclarecer dúvidas. 

“A dor crônica impacta diretamente a qualidade de vida de muitas pessoas e, muitas vezes, pode ser controlada ou minimizada com diagnóstico, tratamento adequado e mudanças de hábitos. Queremos reforçar a importância da prevenção e do acompanhamento contínuo”, afirmou o secretário. 

Continue Lendo

Mais vistos