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Unesc cria grupos reflexivos para homens condenados por violência doméstica

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Romper o ciclo da violência doméstica exige mais do que punição. Requer reflexão, responsabilização e mudança de padrões culturais que sustentam práticas de controle e agressão. Com esse objetivo, a Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), por meio do curso de Psicologia, desenvolve o projeto “E agora, José?! Grupos reflexivos para homens autores de violência”, voltado a apenados enquadrados na Lei Maria da Penha no Presídio Regional de Criciúma.

A iniciativa prevê encontros semanais com homens condenados por violência doméstica e familiar. O objetivo é estimular processos de autorreflexão, reconhecer o impacto das condutas praticadas e prevenir a reincidência.

A participação será voluntária, mediante triagem e acolhimento individual. Cada ciclo terá de dez a doze encontros, conduzidos por estagiários do curso de Psicologia, sob supervisão docente e acompanhamento técnico da equipe psicossocial da unidade prisional.

Idealizadora do projeto, a professora Camila Maffioleti Cavaler destaca que o enfrentamento da violência contra a mulher exige uma abordagem que vá além do modelo exclusivamente punitivo.

“Não enfrentamos a violência apenas com o encarceramento. É preciso criar espaços de responsabilização e reflexão que desnaturalizem padrões de masculinidade associados ao controle e à agressividade”, afirma.

Segundo a docente, o grupo não representa benefício ao apenado, mas um instrumento de intervenção psicossocial estruturada.

“O objetivo é promover a responsabilização pelos atos cometidos e discutir masculinidades, relações de gênero e prevenção da reincidência. Trabalhamos para que esses homens compreendam o impacto das violências e possam reconstruir trajetórias sem repetir ciclos”, acrescenta.


FORMAÇÃO ACADÊMICA E IMPACTO SOCIAL

O projeto tem respaldo na Lei Maria da Penha e na Lei nº 13.984, que autoriza o encaminhamento de agressores para programas de recuperação psicossocial. A iniciativa também dialoga com a Conselho Nacional de Justiça, por meio da Recomendação nº 124/2022, que orienta tribunais a instituírem programas de responsabilização.

Em âmbito municipal, o projeto converge com a Lei nº 7.868/2021, que estrutura a política local de enfrentamento à violência doméstica.

De acordo com o coordenador-geral dos estágios em Psicologia Social da Unesc, Zolnei Vargas Córdova, a iniciativa tem impacto direto na formação acadêmica e na comunidade.

“Trata-se de uma ação necessária no campo da Psicologia Social, pois promove responsabilização, reflexão e prevenção da reincidência, com impacto direto na proteção das famílias e da comunidade. Quando universidade e sistema prisional constroem juntos uma ação com método, ética e supervisão, qualificamos o território. Isso é política pública na prática”, afirma.

Com previsão de um grupo por semestre, o projeto busca consolidar-se como estratégia permanente de prevenção, articulando ciência, prática supervisionada e compromisso institucional diante de um dos desafios mais sensíveis da sociedade contemporânea.

Para a coordenadora do curso de Psicologia da Unesc, Rosimeri Vieira, a iniciativa também fortalece a formação dos estudantes.

“Para os homens que cumprem pena por violência doméstica, o grupo oferece um espaço estruturado para assumir responsabilidades e desenvolver competências socioemocionais. Para nossos acadêmicos, representa uma experiência essencial para atuar em contextos complexos”, destaca.


O QUE DIZEM AS AUTORIDADES

A juíza da Vara de Execuções Penais da Comarca de Criciúma, Débora Driwin Rieger, avalia o projeto como um avanço na política de ressocialização.

“Essa iniciativa da Unesc, em parceria com o Judiciário, o Ministério Público e o Presídio Santa Augusta, é exemplar. O objetivo é promover uma mudança profunda no comportamento dos agressores, oferecendo reflexão, aprendizado e novas perspectivas”, afirma.

A psicóloga do Presídio Regional de Criciúma, Bianca Defaveri Muliterno de Quadros, ressalta que o grupo cria um espaço de escuta dentro do ambiente prisional.

“O contexto prisional é marcado por regras, contenções e rupturas de vínculos. Nesse cenário, muitas experiências e sentimentos permanecem silenciados ou se expressam por meio da violência. O grupo reflexivo surge como um espaço em que a palavra substitui o ato”, explica.

Para a psicóloga Aline Cizewski Borb, a proposta também contribui para reduzir comportamentos violentos.

“O grupo promove maior consciência emocional, amplia o repertório de respostas diante de conflitos e incentiva formas mais saudáveis de se relacionar”, afirma.

Já o promotor de Justiça da 4ª Promotoria do Ministério Público de Santa Catarina, Jadson Javel Teixeira, destaca que iniciativas desse tipo ajudam a romper ciclos de reincidência.

“Não basta apenas punir. É necessário promover mudança na forma de enxergar o mundo, para que a pessoa possa retornar à sociedade melhor do que chegou ao sistema prisional”, avalia.

A coordenadora de Apoio à Saúde e Atenção Psicossocial do Departamento de Polícia Penal, Caroline Aquino Hubler, afirma que o projeto fortalece o processo de ressocialização.

“A iniciativa promove autorreflexão e responsabilização, além de conscientizar sobre os impactos da violência no núcleo familiar e na vida cotidiana”, conclui.

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Siderópolis conclui catalogação de documentos históricos e amplia acervo disponível para consulta no Museu do Carvão

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O Governo de Siderópolis, por meio do Departamento de Cultura e Turismo, concluiu mais uma etapa do trabalho de organização e preservação do patrimônio histórico do município. Depois da catalogação das 825 fotografias que passaram a integrar o acervo da instituição, o trabalho avançou para os documentos doados por famílias da cidade, especialmente aqueles relacionados ao período de atuação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e da Carbonífera Treviso.

Ao todo, mais de 476 documentos foram organizados e catalogados em três álbuns, passando a integrar oficialmente as listagens de Patrimônio Cultural e do Museu do Carvão. O conjunto reúne registros que ajudam a preservar a memória dos trabalhadores e das atividades desenvolvidas no município entre as décadas de 1940 e 1980, além de documentos que se estendem até 1999.

Entre os materiais estão cartões de sócios da CSN, carteiras de registro funcional de trabalhadores, cartas, diplomas e outros documentos relacionados à vida profissional dos antigos funcionários. A maior parte do acervo é formada por fichas trabalhistas de ex-funcionários da CSN e da Carbonífera Treviso, doados por familiares.

Entre as principais doadoras estão Ilka Stamm Pasa, Maria Nazareth Vargas dos Santos e Lia Bolsoni, além de outras famílias que contribuíram para que esses registros fossem preservados e pudessem ser incorporados ao acervo histórico do município.

“Cada registro, cada fotografia e cada documento carrega um pouco da trajetória da nossa comunidade. É muito importante que esse material esteja organizado e disponível para consulta, garantindo que as novas gerações possam conhecer e valorizar as nossas raízes”, pontuou o prefeito Franqui Salvaro.

Registros ajudam a contar a história do Recreio do Trabalhador

Uma parte significativa dos documentos está relacionada ao período de administração de Heitor Belmiro da Silva, ex-encarregado do Recreio do Trabalhador. Os registros revelam detalhes da rotina do espaço e das atividades oferecidas aos trabalhadores e suas famílias.

Entre os documentos estão relatórios manuscritos e posteriormente datilografados, listas de filmes exibidos no Cine Recreio, relação de filmes a serem pagos aos distribuidores, documentos referentes ao pagamento de impostos de censura, lista de frequência de jogos internos e de utilização da biblioteca, além de registros de eventos, reuniões e festividades.

Também foram encontrados documentos relacionados a orçamentos para manutenção de equipamentos do Cine Recreio, listas de materiais e anotações sobre atividades relacionadas no local, como Semana da Criança, apresentações de teatro, reuniões, eleições, coquetéis e distribuição de brinquedos de Natal.

Imposto de censura

Os registros do cinema também revelam aspectos dos períodos de censura. Em documentos referentes às décadas de 1960 e 1970, há anotações sobre horários das sessões, filmes exibidos e os procedimentos relacionados à censura das obras antes da liberação para exibição.

As anotações registram, ainda, o chamado imposto de censura, relacionado à autorização para que determinados filmes fossem exibidos. Dependendo do conteúdo considerado inadequado, como temas relacionados à família, álcool ou sexualidade, cenas poderiam ser cortadas ou a obra poderia ser impedida de ser exibida.

O acervo também reúne documentos que atravessam períodos importantes da história brasileira, incluindo registros produzidos durante o período da ditadura militar. Outro documento encontrado registra a paralisação das sessões em 2 de abril de 1964, período próximo ao início da ditadura militar no Brasil.

Preservação da memória de Siderópolis

A nova etapa complementa o trabalho iniciado com a organização das fotografias históricas, que reúne 825 imagens da trajetória da CSN, da Carbonífera Treviso e de diferentes acontecimentos do município entre as décadas de 1940 e 1960. O material fotográfico foi catalogado e identificado com o apoio de pessoas que auxiliaram no reconhecimento de moradores, locais e equipamentos retratados nas imagens.

“O trabalho de catalogação permite que documentos que estavam guardados nas famílias possam ser reconhecidos como parte da história de Siderópolis. São registros que contam a trajetória dos trabalhadores, das empresas, do Recreio e de diferentes momentos vividos pela comunidade. Preservar esse material é também preservar a memória das pessoas que ajudaram a construir o município”, destacou o assessor de Cultura e Turismo de Siderópolis, Arisson Fabricio Nunes.

Todo o material já está disponível no Museu do Carvão para consulta e visualização. O Museu está localizado no antigo escritório da CSN, no bairro Rio Fiorita, em Siderópolis.

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UniSATC amplia conexões internacionais durante conferência de Inteligência Artificial na Colômbia

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A produção científica desenvolvida na UniSATC ganhou espaço internacional durante a Colombian Conference on Applications of Computational Intelligence (ColCACI 2026), em Bucaramanga, na Colômbia. O coordenador do curso de Engenharia de Computação da UniSATC, Vagner Rodrigues, participou do evento e apresentou um artigo científico na trilha TinyML and Edge AI, área emergente da Inteligência Artificial aplicada a dispositivos embarcados e à computação de borda.

Promovida pelo IEEE, a conferência reuniu pesquisadores, estudantes de mestrado e doutorado e grupos de pesquisa de diferentes universidades para apresentar estudos e discutir avanços relacionados à Inteligência Computacional.

O trabalho apresentado por Rodrigues é resultado da orientação de um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da Engenharia de Computação da UniSATC. A participação demonstra como projetos desenvolvidos ainda durante a graduação podem avançar para espaços de discussão científica e alcançar eventos internacionais.

“Existe um peso importante por ser uma conferência internacional ligada ao IEEE, que possui reconhecimento científico muito forte na nossa área. Mas o que mais me chamou atenção foi a possibilidade de entrar em um grupo de pesquisadores que trabalha com temas semelhantes aos nossos. A partir disso, passamos a ter pessoas com quem conversar, trocar experiências e pensar em novas pesquisas”, destaca Rodrigues.

Pesquisa que gera novas conexões

Além da apresentação do artigo, a participação no ColCACI possibilitou uma aproximação com pesquisadores de outros países. Os momentos de integração promovidos pela conferência, como cafés, encontros e atividades sociais, contribuíram para a troca de informações e para a construção de uma rede de contatos.

Segundo Rodrigues, essa experiência pode gerar resultados que vão além da pesquisa apresentada. Durante o evento, o coordenador estabeleceu contato com representantes de universidades do Chile e da Colômbia, iniciando conversas sobre possíveis ações conjuntas.

“Uma das coisas mais positivas foi justamente criar esses contatos. Já estamos conversando com uma universidade privada do Chile e queremos entender quais possibilidades podemos construir juntos. A ideia é avaliar oportunidades para que nossos alunos possam ter experiências lá e, ao mesmo tempo, para que estudantes deles também possam conhecer e estudar na UniSATC”, explica.

A aproximação abre possibilidades para futuras iniciativas de internacionalização, intercâmbio acadêmico e cooperação entre pesquisadores e instituições.

Da graduação para uma conferência internacional

A origem do artigo em um Trabalho de Conclusão de Curso também reforça a integração entre ensino e pesquisa dentro da Engenharia de Computação. De acordo com o coordenador, levar um estudo desenvolvido a partir da graduação para um ambiente internacional amplia as perspectivas dos estudantes e evidencia o potencial da produção acadêmica realizada na instituição.

“Quando um trabalho desenvolvido dentro do curso consegue chegar a uma conferência internacional, mostramos ao aluno que aquilo que ele produz aqui pode ultrapassar os limites da sala de aula. A pesquisa passa a dialogar com outros pesquisadores e instituições e pode abrir novas oportunidades acadêmicas e profissionais”, ressalta.

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Prefeitura de Criciúma assina termo de cessão de uso de imóvel destinado ao Grupo de Amparo aos Diabéticos

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A Prefeitura de Criciúma assinou, nesta sexta-feira (11), o termo de cessão de uso de imóvel destinado ao Grupo de Amparo aos Diabéticos (GAD). A sala, localizada no segundo andar do Mercado Público Criciumense, no Centro, será destinada a atividades assistenciais, sociais, comunitárias e de apoio à saúde. A ação é fundamentada pela Lei Municipal nº 9.008 de 22 de julho de 2026.

“Essa é uma forma de o Município apoiar uma causa tão importante e contribuir para que o GAD tenha melhores condições de acolher e atender as pessoas com diabetes. Sabemos da relevância desse trabalho e queremos fortalecer iniciativas que levam assistência, informação e cuidado para a população”, ressaltou o prefeito de Criciúma, Vagner Espindola.

O espaço possui 116,24 metros quadrados. Segundo o presidente do GAD, Samuel Pereira de Medeiros, a cessão representa uma conquista para a entidade e permitirá ampliar a estrutura de atendimento oferecida às pessoas com diabetes.

“Esse espaço será utilizado para dar apoio a todas as pessoas com algum tipo de diabetes. Hoje oferecemos assistência social, cestas glicêmicas, convênio médico, telemedicina e atendimento com psicólogas, e teremos esse atendimento também no local. Atualmente, atendemos uma média de 18 a 20 pessoas e queremos chegar até o final do ano a 50 pessoas”, destacou.

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