Conecte-se conosco

Geral

Unesc lança programa de proteção a mulheres em situação de violência doméstica

Publicado

em

A manhã desta segunda-feira (25/5) marcou um passo histórico da Unesc, com o lançamento oficial do programa “Unesc Com Elas”, iniciativa institucional criada para acolher, orientar e proteger mulheres da comunidade acadêmica em situação de violência doméstica e familiar. O evento foi realizado no Centro de Inovação Criciúma (CRIO) e reuniu representantes da Universidade, órgãos de segurança pública, Ministério Público, Judiciário, lideranças estudantis e integrantes da rede de proteção e assistência social às mulheres.

Estruturado de forma interdisciplinar e intersetorial, o programa integra diferentes serviços já existentes na Instituição para oferecer atendimento psicológico, social, jurídico e médico gratuito às mulheres em situação de violência. Entre os setores envolvidos estão o Programa Acolher, as Clínicas Integradas, a Clínica de Direitos Humanos, as Casas da Cidadania e o SOS.

Além de um serviço de atendimento, o projeto surge como uma política institucional permanente de enfrentamento à violência de gênero, baseada em três pilares: prevenir, acolher e agir.

A iniciativa nasce em meio a um cenário alarmante. Dados do Atlas da Violência 2025 apontam que mais de 47 mil mulheres foram assassinadas no Brasil entre 2013 e 2023, em média 13 mortes por dia. Em Santa Catarina, mais de 600 mulheres procuram semanalmente o Poder Judiciário em busca de medidas protetivas de urgência. Apenas entre janeiro e julho de 2025, foram concedidas 18.387 medidas protetivas no estado, média de 87 por dia.

O Mapa do Feminicídio de Santa Catarina também revela que cerca de 66% das mortes violentas de mulheres ocorreram em contexto de feminicídio; a maioria dos casos acontece dentro da residência da vítima e, frequentemente, o agressor é parceiro ou ex-parceiro. Em muitos episódios, há filhos em comum, ampliando os impactos da violência para crianças e adolescentes.

Rede integrada de acolhimento

O programa funcionará por meio de um sistema integrado de acolhimento com múltiplas portas de entrada. O principal espaço de atendimento será junto ao Programa Acolher, nas Clínicas Integradas da Unesc, com atuação multiprofissional de psicóloga, assistente social e advogada.

Também atuarão como portas complementares de acesso a Clínica de Direitos Humanos, o SOS e outros serviços institucionais. Todos os espaços serão identificados com selo visível de acolhimento, garantindo atendimento sigiloso, humanizado e seguro. Além do suporte imediato, o programa contará com avaliação técnica de risco, acompanhamento contínuo das mulheres atendidas e encaminhamento articulado com a rede externa de proteção, incluindo Delegacia da Mulher, Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), Defensoria Pública e demais serviços municipais e estaduais.

Educação e prevenção permanentes

Além do atendimento direto, o “Unesc Com Elas” terá forte atuação preventiva e educativa. O programa prevê campanhas permanentes, oficinas, rodas de conversa, grupos reflexivos para mulheres e homens, capacitação de servidores e ações de conscientização sobre violência de gênero.

A reitora licenciada e secretária de Estado da Educação, Luciane Bisognin Ceretta, mencionou que o programa começou a ser pensado há mais de um ano, quando os dados sobre a violência contra a mulher adentravam as portas da sociedade de um modo absolutamente agressivo. Infelizmente, um ano depois, esses indicadores não retrocederam. Eles se ampliaram.

“Quando trazemos um programa como este, com um time especializado para escuta, acolhimento e construção conjunta de ações com entidades que já atuam nessa pauta, conseguimos produzir um impacto muito maior na sociedade. É uma forma de dizer às mulheres: Vocês não estão sozinhas. A Universidade está junto”, ratificou ela.

Segundo Luciane, os dados do Sul catarinense reforçam a urgência da iniciativa. “Muitas dessas tentativas terão um desfecho fatal se esse ciclo de violência não for rompido. Precisamos olhar para isso com responsabilidade”, alertou.

A reitora em exercício, Gisele Silveira Coelho Lopes, destacou que a Universidade reconhece seu papel social diante da realidade enfrentada diariamente por milhares de mulheres e reforçou que o programa foi estruturado para oferecer acolhimento seguro, humanizado e acessível.

“A Universidade reflete a sociedade. Hoje temos mais de 21 mil pessoas na comunidade acadêmica e cerca de 60% desse público é formado por mulheres. Precisamos oferecer espaços seguros de acolhimento, assistência e orientação para quem enfrenta situações de violência”, ressaltou.

Segundo Gisele, a Unesc reúne em seu ambiente acadêmico um retrato da macrorregião Sul catarinense e também de diferentes regiões do país, tanto entre os quase 20 mil estudantes quanto entre os mais de 1,7 mil colaboradores da Instituição. 

Para ela, essa realidade reforça a necessidade de a Universidade assumir papel fundamental no cuidado, na prevenção e no enfrentamento à violência contra as mulheres. “Na medida em que a Universidade identifica essas situações, também consegue conectar essa mulher à rede externa de proteção, ampliando o cuidado e garantindo acompanhamento contínuo”, completou.

Programa construído coletivamente

A presidente do programa, Mônica Ovinski, explicou que a proposta foi construída coletivamente por professoras, pesquisadoras e profissionais de diferentes áreas da Universidade. “O programa nasce como uma iniciativa multidisciplinar e intersetorial. Ele surge diante de uma realidade preocupante, em que mulheres seguem sendo vítimas de violência diariamente. A proposta não é apenas encaminhar essa mulher para outro serviço, mas acompanhá-la ao longo do processo, até que ela esteja efetivamente segura”, sublinhou.

Já o coordenador do programa, Zolnei Vargas, reforçou que o diferencial está justamente na integração entre acolhimento, assistência e prevenção. “Essa mulher precisa saber que não está sozinha e que encontrará aqui um espaço sensível, sigiloso e preparado para compreender sua realidade. A violência é uma questão estrutural e exige transformação cultural. Por isso, trabalharemos também na formação da comunidade acadêmica e no fortalecimento das redes de prevenção”, afirmou.

Mobilização coletiva

Autoridades presentes reforçaram a importância da união entre instituições no enfrentamento à violência doméstica. A delegada da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher de Criciúma, Ana Elisa Vargas de Souza, destacou que os casos de violência contra mulheres seguem sendo registrados diariamente.

“São direitos violados todos os dias, muitas vezes por aqueles que deveriam proteger e cuidar. Infelizmente, essa realidade ainda acaba sendo naturalizada, e nós não podemos permitir que isso aconteça. Muitas mulheres ainda sentem medo de denunciar e enfrentam inseguranças emocionais. Por isso, iniciativas como o Programa Unesc Com Elas são tão importantes”, afirmou.

O juiz substituto do Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, Gabriel Victor Rodrigues Pinto, ressaltou o papel transformador da Universidade. “A violência contra a mulher é um problema coletivo e exige o envolvimento de toda a comunidade. Talvez a Universidade seja um dos espaços mais plurais que temos, justamente porque é aqui que as ideias circulam livremente e onde grandes transformações sociais podem nascer”, disse.

A vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Subseção Criciúma, Janaína Alfredo da Rosa, abordou sobre o silêncio que acompanha muitas situações de violência. “O lançamento do Programa Unesc Com Elas é um pacto com a vida, com a dignidade e com a proteção das mulheres. A Universidade cria pontes de confiança, cria espaços seguros e acolhedores, onde a mulher pode chegar sem se sentir julgada ou exposta”, enfatizou.

O promotor da 12ª Promotoria de Justiça da Comarca de Criciúma, Samuel Dal Farra Naspolini, reforçou a importância do trabalho em rede. “O nosso compromisso ético precisa ser o de permanecer ao lado dessas mulheres, oferecendo apoio, escuta e acompanhamento enquanto elas necessitarem. A comunidade precisa dessa rede fortalecida para enfrentar a escalada da violência que vivemos hoje”, destacou.

Representando os estudantes, a presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Camila Jacoby, também declarou apoio à iniciativa. “Muito me conforta ver que a Universidade tomou a frente dessa demanda e assumiu seu papel enquanto Universidade comunitária. Acredito muito no potencial do programa e o DCE está à disposição”, afirmou.

Representando as forças de segurança, o tenente-coronel Mário Luiz Silva, do 9º Batalhão da Polícia Militar destacou que a violência doméstica envolve dinâmicas complexas,especialmente por acontecer, na maioria das vezes, dentro de relações afetivas e familiares. Segundo ele, muitas mulheres ainda têm dificuldade de reconhecer que estão inseridas em um ciclo de violência.”Talvez o maior desafio seja justamente a informação. Muitas vítimas sentem vergonha de buscar ajuda ou sequer percebem que vivem uma situação de violência. Por isso, iniciativas como o Unesc Com Elas são tão importantes, porque criam espaços seguros, acolhedores e preparados para orientar essas mulheres e ajudá-las a romper esse ciclo”, enfatizou.

Continue Lendo
Clique para comentar

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

Criciúma lançará Hemeroteca Digital para preservação da história da cidade

Publicado

em

Com o objetivo de valorizar ainda mais a história da cidade e ampliar o acesso da população a periódicos publicados a partir da década de 1950, a Prefeitura de Criciúma realizará o lançamento da Hemeroteca Digital. O ato acontecerá nesta quinta-feira (23), às 19h30, no Centro Cultural Jorge Zanatta, no Centro. A iniciativa reúne, em um único ambiente online, jornais e documentos editados no município, que atualmente integram o Arquivo Histórico Pedro Milanez.

O projeto é conduzido pela Fundação Cultural de Criciúma (FCC), em parceria com a Secretaria Municipal de Governança. “Preservar a memória é essencial para que as futuras gerações conheçam a história de Criciúma e valorizem as suas origens. Estamos falando de registros que contam como a cidade se desenvolveu ao longo das décadas. A digitalização desse acervo garante o acesso democrático à informação, permitindo que mais pessoas conheçam nossa história”, ressalta o prefeito de Criciúma, Vagner Espindola.

A hemeroteca digital tem como foco a organização de jornais históricos que fazem parte do acervo do município em formato PDF, para consulta pública online dos materiais. A proposta busca facilitar o acesso e fortalecer a preservação da memória documental, reunindo conteúdos relevantes para pesquisas acadêmicas, históricas, culturais e sociais. A digitalização também representa uma estratégia de conservação, pois parte dos exemplares já apresenta sinais de desgaste devido ao tempo e ao manuseio frequente.

De acordo com a presidente da FCC, Cristiane Maccari Uliana Zappelini, o município conta com uma grande coleção de periódicos. O acesso ao material ocorre de forma presencial, com atendimento a pesquisadores, estudantes e interessados na história local.

“São materiais que refletem o cotidiano da cidade, acontecimentos marcantes e a formação da nossa identidade ao longo do tempo. A criação da Hemeroteca Digital permite a ampliação do alcance desses periódicos tão importantes para a nossa história. A expectativa é que a hemeroteca digital se torne uma referência regional em acesso à informação histórica, contribuindo para a educação e a pesquisa acadêmica”, explica.

Transformação digital

O secretário de Governança, Tiago Ferro Pavan, ressalta o papel estratégico da iniciativa no contexto da transformação digital. “A Hemeroteca Digital vai além da preservação histórica. Ela é um instrumento de governança, transparência e inteligência pública. Ao estruturar e disponibilizar esses dados de forma organizada e acessível, fortalecemos a gestão baseada em informação, ampliamos o acesso da sociedade ao conhecimento e consolidamos Criciúma como uma cidade que valoriza sua história enquanto constrói o futuro”, destaca.

O sistema conta com mecanismos de busca e classificação que possibilitam consultas rápidas e eficientes, tornando a experiência do usuário mais intuitiva e funcional. O projeto segue exemplos já consolidados em Santa Catarina, como a Hemeroteca Digital Catarinense, mantida pela Biblioteca Pública do Estado de Santa Catarina e a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc).

Continue Lendo

Geral

EJA de Balneário Arroio do Silva está com matrículas e rematrículas abertas

Publicado

em

Estão abertas as matrículas e rematrículas na Educação de Jovens e Adultos (EJA) de Balneário Arroio do Silva. Novas matrículas ou rematrículas podem ser realizadas até o dia 31 de julho na Escola Municipal de Educação Básica Jardim Atlântico/EJA, das 18h às 21h.

Documentos necessários para novos alunos: Histórico escolar (original), Documento de identidade (Cópia), Comprovante de residência atualizado (Cópia). Para a rematrícula é necessária a cópia do comprovante de residência atualizado. 

Continue Lendo

Geral

Cocal do Sul recebe a primeira unidade móvel da SATC com curso de solda e oficinas de robótica

Publicado

em

Cocal do Sul foi o primeiro município a receber a unidade móvel da SATC fora da instituição. A estrutura começou a funcionar nesta segunda-feira (20), levando oficinas de ciência e tecnologia para estudantes durante o dia e iniciando, à noite, o curso gratuito de solda para moradores do município.

A iniciativa é resultado da parceria entre o Governo de Cocal do Sul e a SATC.

O prefeito Ademir Magagnin destacou que a ação amplia as oportunidades de qualificação profissional e abre caminho para novos cursos no município.

“Hoje o curso técnico é muito importante e o mercado exige cada vez mais profissionais preparados. Quem participa sai daqui qualificado, com mais chances de conquistar um emprego, aumentar a renda ou até abrir o próprio negócio. Este é o primeiro de outros cursos técnicos que queremos trazer para Cocal do Sul”, afirmou.

Durante a tarde, os primeiros atendidos pela unidade móvel foram estudantes do 9º ano das escolas Cristo Rei e Demétrio Bettiol. Eles participaram da oficina de robótica Semáforo Inteligente, desenvolvendo atividades práticas voltadas à tecnologia e à inovação.

À noite, a carreta recebeu a primeira turma do curso gratuito de solda, com 20 participantes. A vice-prefeita Roseny Cittadin ressaltou que a parceria aproxima uma instituição reconhecida da comunidade e fortalece a formação de mão de obra para o mercado de trabalho.

“Estamos muito felizes com essa parceria. A SATC é uma instituição conceituada e as empresas precisam de profissionais capacitados. Nosso objetivo é oferecer oportunidades para que as pessoas se qualifiquem e ampliem suas chances de conquistar um emprego”, destacou.

O gerente de Educação Corporativa da SATC, Daniel Fritzen, explicou que a escolha de Cocal do Sul marca a estreia da unidade móvel fora da instituição.

“Esta é a primeira vez que a unidade móvel sai da SATC. O projeto foi criado justamente para levar ciência e capacitação para fora dos nossos muros. Durante o dia realizamos workshops de iniciação científica nas áreas de tecnologia, robótica, química, física e matemática. À noite, oferecemos cursos de qualificação profissional em parceria com o município, fortalecendo a mão de obra da região”, explicou.

A unidade móvel permanecerá em Cocal do Sul até o início de agosto, oferecendo diferentes oficinas nas áreas de ciência e tecnologia para estudantes das redes municipal, estadual e particular, além do curso gratuito de solda para a comunidade.

Continue Lendo

Mais vistos