Saúde
Alzheimer: do diagnóstico ao tratamento da doença
Criciúma
Sabemos que manter hábitos saudáveis, ter uma alimentação equilibrada e fazer atividade física são ações que auxiliam e muito para manter a saúde em dia.Especialistas alertam que bons hábitos ajudam também no controle e prevenção de doenças como diabetes, colesterol e Alzheimer.
De acordo com a médica geriatra Dra Gabriela Serafim Keller (CRM-16833/RQE-13659), o Alzheimer faz parte de um grupo de doenças que afetam o cérebro. Algumas proteínas que atuam neste órgão, podem causar alteração de memória e consequentemente de comportamento, pois ocasiona atrofia no cérebro e perca neurônios. “Ainda não se sabe exatamente o motivo, mas, na doença de Alzheimer é causada também devido a algumas proteínas (Beta amiloide, TAU) atuarem no cérebro de maneira errada, destruindo os neurônios (células funcionais de cérebro) e causando inicialmente alterações de memória e depois de comportamento.
Por isso, entende-se que bons hábitos como alimentação moderada, atividade física, controle da pressão, da diabetes, do colesterol, são fatores que auxiliam na prevenção do problema. “Sabemos que são várias causas (hábitos de vida não saudável, doenças que afetam a circulação, baixa escolaridade, hipertensão, diabetes, genética e outros) é que ocorre essa atuação de proteínas erradas no cérebro, causando aos poucos a destruição dos neurônios. Mas a causa específica ainda não se sabe”, aponta a especialista.
Diagnóstico do problema
Ficar atento as situações da vida cotidiana que mudaram de tempos para cá, pode ser um fato a se observar pela família, quando se tem pessoas com mais idade no convívio. Esquecer como se faz uma atividade que outrora se fazia todos os dias, não lembrar onde mora, esquecer objetos, esquecer-se de pagar contas, se perder em locais conhecidos, entre outras situações podem ser fatores para a investigação de Alzheimer.

De acordo com a médica geriatra, a parte mais importante para um diagnóstico é a consulta com a história compatível com a doença, o exame físico e depois a avaliação da memória do paciente, que pode ser feita por um médico (geriatra/ neurologista) ou um neuropsicólogo. “Depois de alguns exames, se observado a constatação de que há alteração de memória, diversos exames são feitos. Devem ser feitos exames de sangue para excluir outras causas de esquecimento (deficiência de vitamina B12, infecções, alterações na tireoide, alterações no fígado, uso excessivo de álcool, entre outros), um exame de imagem (tomografia, ressonância). Caso os exames venham normais e o paciente tenha o quadro clínico compatível e as alterações de memória, considera-se provável Alzheimer”, explica.
Existem exames mais específicos como SPECT , PET-FDG , exame de líquor e exame genético que podem ajudar nos casos de dúvida, porém, eles não são obrigatórios para fazer o diagnóstico e tratamento.
O desenvolvimento da doença
No Brasil, devido ao tamanho continental e dificuldades estruturais na saúde, existem dificuldades em termos estatísticos bem definidos, porém, estima-se que 2 milhões de pessoas possuem demência, sendo que 40-60% delas são do tipo Alzheimer.
Ainda, segundo a geriatra, qualquer pessoa pode desenvolver a doença, porém, ela é muito mais prevalente em idosos, mas existem tipos que ocorrem mais precocemente, aos 50-60 anos, e raros os casos com idade menor. “Chamamos Alzheimer precoce quando ele ocorre antes dos 65 anos. É raro, geralmente ele tem causa genética e o quadro clínico é similar ao Alzheimer. Existem relatos de Alzheimer em pacientes de 30 anos, porém são muito raros”, explica Gabriela.
Normalmente a doença de Alzheimer, leva de 10 a 15 anos de evolução, em alguns casos evolui rapidamente em poucos anos; porém, o problema não acontece de um dia para outro, nem mesmo de um mês para outro, pois casos assim devem ser investigados com mais precisão, conta a médica.
A especialista afirma ainda, que não existe cura para esta doença, porém, existem remédios que atrasam o desenvolvimento e que, além da parte medicamentosa, é importante o acompanhamento multiprofissional com psicóloga, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, fisioterapeuta e outros.
Fases da doença
Os estágios de uma pessoa que desenvolveu Alzheimer, geralmente dividem-se em três fases: leve, moderado e grave.No começo da doença são pequenos esquecimentos que muitas vezes não são notados e que com o tempo vão se agravando.
A médica explica que, com a evolução da doença, ela pode esquecer, por exemplo, dos familiares, de onde mora, de como fazer as coisas mais básicas como ir ao banheiro, tomar banho. Com o tempo, ela pode perder a capacidade de se vestir, de comer sozinha, de segurar a urina e as fezes. Nas fases mais avançadas, alguns pacientes ficam dependentes de cuidados contínuos e podem ficar acamados com pré-disposição a terem mais infecções de urina e pneumonia.
“O paciente com Alzheimer tem que ser supervisionado sempre, mesmo nas fases mais iniciais pois existe o risco de trocar medicamentos, esquecer o fogão aceso, ou o gás ligado, machucar-se por não ter noção de consequências de atos simples, como pegar uma forma quente no forno, perder-se mesmo em locais conhecidos, perder dinheiro, por isso é importante ser acompanhado frequentemente”, finaliza a médica.
Saúde
Profissionais da saúde participam de capacitação em primeiros socorros
Profissionais da saúde de Içara participaram de uma capacitação em primeiros socorros promovida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O treinamento foi destinado a médicos, técnicos de enfermagem e enfermeiros que atuam nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) com horário estendido, e também aos profissionais que atuam na Cidade do Idoso.
A capacitação teve como objetivo aprimorar os conhecimentos dos profissionais para o atendimento inicial e garantir maior agilidade em situações de emergência, contribuindo para uma resposta rápida e segura até a chegada do atendimento especializado.
Como parte das ações de reforço à estrutura de atendimento, o município também adquiriu quatro desfibriladores, equipamentos que poderão ser utilizados em situações de emergência cardíaca.
Saúde
Setembro Amarelo inicia com capacitação aos profissionais da rede de saúde de Criciúma
A Prefeitura de Criciúma realizou, na tarde desta terça-feira (1), a abertura das atividades alusivas a campanha Setembro Amarelo. Promovida pela Secretaria de Saúde, por meio do Programa Saúde em Cores, a iniciativa foi voltada a capacitação dos profissionais que atuam na rede de saúde do município. Além de capacitações direcionadas aos colaboradores, também serão realizados eventos abertos ao público, com o objetivo de proporcionar acolhimento, escuta ativa, bem-estar e reforçar a importância do cuidado com a saúde mental da população.
A ação desta tarde ocorreu no Salão Ouro Negro do Paço Municipal Marcos Rovaris e contou com a palestra da professora Jaqueline Batista da Silva Taufembach, psicóloga clínica e neuropsicóloga. O tema abordado foi “Falar é um começo. Escutar pode fazer a diferença”, em sintonia com a proposta central do município para a campanha deste ano.
Para o prefeito de Criciúma, Vagner Espindola, é importante que a qualidade da saúde mental seja compreendida como algo primordial na vida de todas as pessoas.
“Quando falamos em saúde, precisamos ampliar o olhar para além do físico. Esse mês é essencial para reiterar a necessidade de olhar com mais cuidado para o bem-estar emocional e psicológico de todos. Promover eventos como esse é de grande importância para capacitar os nossos profissionais que estão lá na ponta, atendendo diariamente os criciumenses, e a palestra de abertura é apenas o ponto inicial de uma programação que se estenderá durante todo o mês”, salientou.
A campanha Setembro Amarelo integra o calendário anual de ações da Secretaria Municipal de Saúde. “O trabalho de conscientização e prevenção, bem como o acolhimento de quem necessita de cuidado e atendimento especializado, acontece durante o ano todo. E um dos principais objetivos dessa campanha é justamente não limitar as ações a um único mês, uma palestra ou uma atividade isolada”, destacou o vice-prefeito, Salésio Lima.
O secretário municipal de Saúde, Deivid de Freitas Floriano, reiterou que, neste mês, também serão realizadas iniciativas gratuitas voltadas à comunidade.
“Criciúma é uma das únicas cidades de Santa Catarina com uma rede de saúde mental completa para o atendimento do cidadão, atuando com todos os CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) em pleno funcionamento durante o ano inteiro. Paralelo a isso, como uma das principais atividades desse Setembro Amarelo, vamos realizar ações nos parques para ouvir, acolher e encaminhar quem precisa de atendimento especializado”, afirmou.
Saúde em Cores
O Saúde em Cores é um programa municipal de Criciúma que realiza campanhas mensais de promoção e educação em saúde, aproximando a gestão da comunidade e incentivando a prevenção e o diagnóstico precoce. Em setembro, o eixo é dedicado à saúde mental e à valorização da vida.
Saúde
Em tempos de hiperconectividade, Psicologia reforça a importância das conexões humanas
Nunca estivemos tão conectados. Mensagens instantâneas, redes sociais, notificações e uma quantidade praticamente ilimitada de informações fazem parte da rotina de milhões de pessoas. Mas, em uma época marcada pela hiperconectividade, uma pergunta ganha cada vez mais importância: quais conexões realmente importam?
A reflexão ganha ainda mais relevância nesta quinta-feira (27), Dia do Profissional de Psicologia. Em 2026, a Psicologia completa 64 anos como profissão regulamentada no Brasil e encontra, diante das transformações sociais e tecnológicas, novos desafios para uma atuação que sempre teve o ser humano como centro.
Para a coordenadora do curso de Psicologia da UniSATC, Fernanda Zanette, estar conectado o tempo todo não significa, necessariamente, estabelecer relações capazes de contribuir para o bem-estar e para uma vida mais equilibrada.
“Em uma época marcada pela hiperconectividade, precisamos questionar quais tipos de conexão realmente importam. Estamos conectados o tempo todo, mas o excesso de informações e o ritmo acelerado da vida moderna podem contribuir para o aumento do estresse, da ansiedade, da depressão e de outras psicopatologias”, destaca Fernanda.
Nesse cenário, a atuação do psicólogo ganha ainda mais relevância. Mais do que responder aos impactos provocados pelas mudanças da sociedade, o profissional atua na prevenção, promoção da saúde mental e construção de estratégias que auxiliem as pessoas a compreender seus próprios processos.
“O profissional de Psicologia se torna peça-chave para acompanhar as pessoas em seus processos de autodescoberta, auxiliando na busca de estratégias para uma vida mais equilibrada”, acrescenta a coordenadora.
Uma profissão que se transforma com a sociedade
Desde a regulamentação da profissão no Brasil, em 1962, a Psicologia passou por mudanças significativas. Se a imagem do psicólogo já esteve fortemente associada ao atendimento clínico, atualmente a profissão ocupa diferentes espaços e acompanha as demandas que surgem a partir das transformações sociais, culturais e tecnológicas.
Clínicas, hospitais, escolas, empresas, universidades, políticas públicas, comunidades e projetos sociais estão entre os diferentes ambientes de atuação. A tecnologia também abriu novas possibilidades, incluindo práticas mediadas pelo ambiente digital.
“São 64 anos de uma trajetória marcada por profundas transformações sociais, científicas, culturais e tecnológicas. Ao longo dessas décadas, a profissão ampliou seus campos de atuação e reinventou suas práticas para acompanhar as novas demandas da sociedade”, explica Fernanda.
Para a coordenadora, essas mudanças exigem profissionais capazes de compreender o ser humano a partir de diferentes contextos. “As transformações do mundo contemporâneo desafiam a Psicologia a pensar novas formas de cuidado, prevenção e promoção da saúde mental”, pontua.
Formação conectada aos novos desafios
É diante desse cenário que o curso de Psicologia da UniSATC busca preparar os futuros profissionais. A formação acompanha as transformações da sociedade e aproxima os acadêmicos das diferentes possibilidades de atuação do psicólogo, aliando conhecimento científico, experiências práticas e um olhar atento às necessidades humanas.
Mais do que preparar para uma área específica, a proposta é formar profissionais capazes de compreender os diferentes contextos nos quais as pessoas estão inseridas e os impactos que as mudanças sociais e tecnológicas provocam sobre comportamentos, relações e saúde mental.
Para Fernanda, essa preparação passa também pela compreensão de que, mesmo diante de novas ferramentas e formas de atendimento, a essência da profissão permanece ligada à capacidade de estabelecer conexões genuinamente humanas.
“Falar sobre Psicologia é também falar sobre conexão humana. Conexão consigo mesmo, com o outro, com a família, com a comunidade e com aquilo que dá sentido à vida”, afirma.
Conexões que vão além das telas
Em meio a uma rotina de estímulos constantes, a Psicologia também ajuda a lançar um olhar sobre a qualidade das relações estabelecidas no cotidiano. A discussão não está apenas no tempo conectado, mas na maneira como as pessoas constroem vínculos, reconhecem seus limites, compreendem emoções e encontram espaços de escuta.
Por isso, celebrar o Dia do Profissional de Psicologia é também reconhecer uma área que precisou se transformar ao longo de mais de seis décadas sem abandonar aquilo que está em sua essência.
“Celebrar o Dia do Profissional de Psicologia é reconhecer uma profissão que se transforma sem perder sua essência: escutar, compreender, acolher e promover possibilidades de existência mais saudáveis”, ressalta Fernanda.
E, em um mundo no qual boa parte das relações passa pelas telas, a contribuição da Psicologia talvez esteja justamente em resgatar aquilo que nenhuma tecnologia consegue substituir por completo.
“Em tempos de hiperconectividade, talvez uma das maiores contribuições da Psicologia seja justamente nos lembrar de que, por trás de cada tela, comportamento ou dado, existe uma pessoa que precisa ser vista, ouvida e compreendida”, conclui.
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