Tecnologia
Em meio à disputa global, SATC avança em pesquisa para extração de terras raras
A corrida global por terras raras, elementos essenciais para a indústria de tecnologia, energia e defesa, ganha um novo capítulo no Sul de Santa Catarina. Após anos de desenvolvimento, uma pesquisa conduzida pelo Centro Tecnológico da SATC alcançou avanços importantes ao utilizar a Drenagem Ácida de Mina (DAM) como fonte para a extração desses elementos. O projeto segue em fase piloto, mas já com resultados consolidados. Agora, a próxima etapa prevê novos testes com cinzas do carvão mineral.
Essenciais e insubstituíveis, as terras raras são 17 elementos que estão presentes em praticamente tudo que define o mundo moderno: de smartphones e turbinas eólicas a veículos elétricos e sistemas de defesa. E é justamente nesse cenário estratégico que o estudo da SATC começa a ganhar protagonismo.
O Brasil, segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), já possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, concentrando em torno de 25% do total global. Mesmo assim, o desafio se concentra na viabilidade da extração. Isso porque, apesar do nome, esses elementos não são raros. Estão espalhados, mas em baixas concentrações. Tornar essa exploração economicamente viável é o que define quem lidera essa corrida global, hoje dominada principalmente pela China.
É nesse ponto que a pesquisa conduzida pelo Núcleo de Energia e Síntese de Produtos do CT SATC se destaca. “Estamos falando de um material que, historicamente, sempre foi tratado como problema ambiental. A partir da pesquisa, mostramos que ele pode se tornar uma fonte de minerais estratégicos para o país”, afirma o pesquisador e líder do Núcleo, Thiago Aquino.
Na prática, o projeto desenvolve uma rota tecnológica para tratar a Drenagem Ácida de Mina, uma água contaminada gerada pela atividade carbonífera. Durante esse processo de tratamento, os elementos presentes na água são separados. Parte deles forma um lodo rico em ferro, enquanto outra parte concentra as terras raras. Esse material passa por etapas de extração e purificação até gerar um concentrado com alto valor agregado.
Apesar de desenvolvida a partir da DAM, a rota de extração pode ser aplicada a outras fontes que contenham terras raras. Atualmente, os pesquisadores já obtêm um produto mix com mais de 90% de concentração. O próximo passo é o fracionamento desse material, com o objetivo de agregar valor e aproximar a pesquisa da aplicação final desses elementos.
De passivo ambiental a fonte de minerais estratégicos
A drenagem ácida de mina é facilmente reconhecida pela coloração alaranjada em rios impactados pela mineração de carvão. Com alta concentração de ferro e baixo pH, ela representa, segundo os pesquisadores, um risco ambiental significativo. No entanto, carrega em sua composição elementos estratégicos, como as terras raras dissolvidas.
Após três anos de estudos, o projeto avançou de análises laboratoriais para a fase piloto. Foram mapeados cerca de 20 pontos no Sul do estado, permitindo o desenvolvimento de uma rota tecnológica capaz de tratar essa água contaminada e, simultaneamente, recuperar esses minerais.
“O diferencial da pesquisa está justamente nessa abordagem integrada. Conseguimos tratar um passivo ambiental e, ao mesmo tempo, gerar produtos com potencial econômico, o que pode ajudar a viabilizar todo o processo”, destaca a pesquisadora do Núcleo, Vanessa Olivo Viola.
Processo viabiliza tratamento ambiental
A tecnologia desenvolvida permite a geração de dois produtos principais. O primeiro é um lodo rico em ferro, que após o processo de calcinação pode atingir mais de 90% de pureza, se tornando um material com valor comercial. O segundo é um concentrado com aproximadamente 1% a 2% de terras raras, que passa por etapas adicionais até alcançar um mix com mais de 90% de concentração.
Na prática, isso significa que a própria venda desses minerais pode ajudar a custear o tratamento da água, uma solução que une sustentabilidade e viabilidade econômica.
Além das terras raras, o projeto já vislumbra a extração de outros elementos críticos presentes na drenagem ácida de mina, como manganês, silício e alumínio. Esses materiais também são fundamentais para cadeias produtivas ligadas à energia limpa, semicondutores e indústria de base tecnológica.
Cenário global reforça importância estratégica das terras raras
A relevância do tema vai além da ciência. As terras raras fazem parte de um grupo chamado minerais críticos, que incluem ainda lítio, cobalto, níquel e grafite, todos essenciais para baterias, painéis solares e tecnologias avançadas. Por isso, países como Estados Unidos, China, Austrália e Índia, já disputam acordos e cadeias de suprimento com o Brasil, reconhecendo o caráter estratégico desses recursos.
Nesse contexto, conforme Aquino, iniciativas como a da SATC posicionam o Brasil de forma mais competitiva no cenário global. “Já avançamos muito na parte técnica e sabemos como chegar ao produto final. Agora, o desafio é escalar o processo, entender melhor a viabilidade econômica e transformar esse conhecimento em aplicação prática”, explica.
O projeto agora busca novos investimentos para avançar à etapa de campo. A meta é mensurar com precisão o volume de drenagem e cinzas de carvão que pode ser tratado, a quantidade de terras raras recuperadas e os custos envolvidos, consolidando um modelo que possa ser replicado.
Geral
Presidente da Fapesc visita SATC e conhece projetos desenvolvidos com apoio à pesquisa e inovação
Valdir Cechinel Filho percorreu laboratórios do Colégio SATC, UniSATC e Centro Tecnológico e acompanhou iniciativas que contam com fomento da Fundação
O fortalecimento da pesquisa e da inovação em Santa Catarina passa pela aproximação entre instituições de ensino, centros de pesquisa e órgãos de fomento. Dentro desse contexto, a SATC recebeu a visita do presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), Valdir Cechinel Filho, que conheceu projetos, espaços e equipamentos da instituição.
Acompanhado pelo reitor da UniSATC, Carlos Antonio Ferreira, e pelo pró-reitor de Pesquisa e Inovação do Centro Tecnológico SATC, Luciano Bilessimo, Cechinel percorreu laboratórios do Colégio SATC, da UniSATC e do Centro Tecnológico. Durante a visita, foram apresentados projetos de pesquisa e inovação, além de estruturas que receberam investimentos viabilizados por editais e mecanismos de fomento da Fapesc nos últimos anos.
Para o presidente da Fundação, estar próximo das instituições permite compreender as pesquisas que estão sendo desenvolvidas e identificar novas possibilidades de apoio.
“Foi uma visita muito boa. A ideia é conhecer as instituições e entender como a Fapesc pode ajudar a fomentar a inovação no Estado. Foi muito importante conhecer o que a SATC faz, o que está desenvolvendo e entender no que podemos ajudar”, destacou Valdir Cechinel Filho.
Fomento que se transforma em pesquisa e estrutura
Ao longo dos últimos anos, o apoio da Fapesc tem contribuído para o desenvolvimento de pesquisas e para a ampliação da infraestrutura disponível aos pesquisadores da SATC. Os investimentos possibilitam a aquisição de equipamentos e o avanço de projetos que aproximam o conhecimento científico das demandas da indústria e da sociedade.
Durante o roteiro, o presidente pôde conhecer diferentes ambientes utilizados por estudantes, professores e pesquisadores. A visita também possibilitou apresentar resultados de iniciativas já desenvolvidas e conversar sobre novos caminhos para fortalecer o ecossistema catarinense de ciência, tecnologia e inovação.
Para o reitor da UniSATC, Carlos Antonio Ferreira, a parceria com instituições de fomento é fundamental para transformar conhecimento em desenvolvimento.
“O apoio à pesquisa permite que nossas equipes avancem na geração de conhecimento, na formação dos nossos estudantes e, principalmente, no desenvolvimento de soluções que possam chegar à sociedade e à indústria. Receber o presidente da Fapesc também é uma oportunidade de mostrar como os recursos destinados à ciência e à inovação estão se transformando em projetos, infraestrutura e resultados”, afirmou Ferreira.
Tecnologia
IV Simpósio de Aplicações para Engenharia da UniSATC inicia com debate sobre o futuro da mobilidade aérea
O IV Simpósio de Aplicações para Engenharia começou com grande participação de público na UniSATC. Mais de 400 estudantes, professores e profissionais acompanharam a conferência de abertura, consolidando o evento como um dos principais espaços de integração entre academia, inovação e indústria da região.
A palestra inaugural, “eVTOL: Desafios Tecnológicos e Oportunidades para a Engenharia”, foi ministrada pelo especialista Fernando de Borthole. Durante a apresentação, o público conheceu as tecnologias que impulsionam o desenvolvimento das aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOLs), os desafios enfrentados pela engenharia no setor e as oportunidades de negócios que surgem com a evolução da mobilidade aérea urbana.
O Pró-Reitor de Ensino e Extensão da UniSATC, Jovani Castelan, destacou que o simpósio amplia a formação dos estudantes ao aproximá-los das transformações do mercado.
“O simpósio proporciona um ambiente de aprendizado que vai além da sala de aula. Ao reunir especialistas, empresas e a comunidade acadêmica, os estudantes têm contato com tecnologias emergentes, tendências da indústria e desafios reais da profissão, fortalecendo uma formação alinhada às necessidades do mercado”, ressaltou.
Para o coordenador do curso de Engenharia Mecatrônica da UniSATC e um dos organizadores do evento, João Mota Neto, a expressiva participação do público na abertura demonstra o interesse dos futuros profissionais pelas novas tecnologias.
“Ver o auditório cheio no primeiro dia mostra que existe uma grande busca por conhecimento aplicado e por compreender as transformações que estão acontecendo na Engenharia. O simpósio foi pensado justamente para aproximar os estudantes de especialistas e das tecnologias que já estão moldando o futuro da indústria, criando um ambiente de troca de experiências e inspiração para a carreira”, completou.
Ao longo da programação, os participantes terão acesso a palestras, minicursos e apresentações técnicas sobre transformação digital, automação, robótica, inteligência artificial e inovação. A proposta é conectar o conhecimento desenvolvido na universidade às demandas reais da indústria, contribuindo para a formação de profissionais preparados para os desafios da Engenharia 4.0 e das profissões do futuro.
Tecnologia
Estudantes de Automação Industrial da UniSATC conhecem tecnologias da Indústria 4.0
A formação de profissionais preparados para os desafios da indústria passa, cada vez mais, pela vivência prática em ambientes produtivos. Com esse propósito, estudantes da primeira fase do curso de Tecnologia em Automação Industrial da UniSATC realizaram uma visita técnica à unidade da Librelato, em Criciúma, uma das principais fabricantes de implementos rodoviários do país.
A atividade foi acompanhada pelo professor da UniSATC e engenheiro de processos da empresa, Marcos Welliton Daros, que apresentou aos acadêmicos diferentes etapas da produção e as tecnologias empregadas no processo fabril. Durante a visita, os estudantes puderam conhecer de perto sistemas automatizados, robôs industriais, sensores, equipamentos de controle e soluções integradas que fazem parte dos conceitos da Indústria 4.0.
Para o coordenador do curso de Tecnologia em Automação Industrial da UniSATC, João Mota, experiências como essa fortalecem a formação profissional ao conectar os conteúdos desenvolvidos em sala de aula com a realidade da indústria.
“Nosso compromisso é proporcionar experiências que vão além da sala de aula, permitindo que os estudantes desenvolvam uma visão sistêmica dos processos industriais, compreendam as demandas do setor produtivo e estejam preparados para atuar em projetos de transformação digital, inovação e automação industrial”, completa.
A professora da disciplina Práticas de Automação, Alanis Tiscoski, ressalta que o contato direto com o ambiente industrial é especialmente importante para os estudantes que estão iniciando a graduação.
“Esse contato com a indústria é muito importante, principalmente para os alunos da primeira fase, pois permite relacionar os conteúdos do curso com situações reais do mercado de trabalho. Além disso, a visita amplia a visão dos estudantes sobre as possibilidades de atuação do tecnólogo em Automação Industrial e demonstra que a automação está presente em diferentes setores e etapas de uma empresa.”
As visitas técnicas integram a proposta pedagógica do curso de Tecnologia em Automação Industrial da UniSATC e complementam o processo de aprendizagem ao aproximar os estudantes das tecnologias utilizadas pela indústria.
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