Conecte-se conosco

Polícia

Operação Caronte: MPSC ajuíza ação por improbidade 

Publicado

em

Uma investigação iniciada em 2021 resultou em uma ação de improbidade administrativa proposta pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) contra 32 pessoas, entre agentes e ex-agentes públicos, políticos e empresários do setor funerário de Criciúma e da região Sul do Estado.

A ação tem como base provas reunidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) durante a Operação Caronte. Segundo a 11ª Promotoria de Justiça da Comarca de Criciúma, foi identificado um esquema organizado e de longa duração que teria atuado para manipular o Legislativo municipal, fraudar processo licitatório e restringir a concorrência no serviço funerário, com prejuízos aos cofres públicos e impacto direto sobre famílias atendidas pelo serviço, especialmente as de baixa renda.

Na ação, o MPSC pede a condenação dos envolvidos por atos de improbidade administrativa, o ressarcimento integral dos danos ao erário — incluindo valores relacionados a sonegação, superfaturamento e enriquecimento ilícito —, além da perda da função pública para agentes ainda em exercício. Também é solicitada a suspensão dos direitos políticos por até 14 anos, proibição de contratar com o poder público e aplicação de multas civis.

Esquema envolveria agentes públicos e empresários
De acordo com a Promotoria, a organização era composta por agentes dos poderes Executivo e Legislativo municipal, empresários do ramo funerário, advogados, intermediários e servidores comissionados. O grupo teria atuado antes, durante e após a licitação de 2022, que concedeu o serviço funerário de Criciúma a quatro empresas.

O promotor de Justiça Marcus Vinicius de Faria Ribeiro afirma que o caso não se trata de irregularidades pontuais. “O que se identificou foi um plano contínuo e estruturado, voltado à obtenção de benefícios econômicos ilícitos e à distorção do serviço público funerário, que deveria ser pautado pela legalidade e pela transparência”, destacou.

Atuação irregular teria começado em 2021
Segundo a ação, o esquema teria começado em 2021, quando um grupo empresarial passou a atuar em Criciúma sem autorização municipal. Para burlar o sistema de rodízio entre as funerárias credenciadas, teriam sido utilizados Formulários de Acompanhamento de Funeral (FAFs) com informações falsas e emissão irregular de notas fiscais, simulando a prestação dos serviços em outro município.

Ainda conforme o MPSC, a prática contou com a participação de servidores da Central de Serviços Funerários e teria provocado prejuízo ao município, com a supressão da arrecadação de Imposto Sobre Serviços (ISS).

Influência no Legislativo e mudanças na legislação
A investigação aponta que o grupo empresarial buscou alterar a legislação municipal para favorecer seus interesses. Entre as medidas estariam a redução do número de concessionárias de seis para quatro, mudanças na estrutura da Central Funerária e a transferência da fiscalização para setores mais suscetíveis à influência política.

O MPSC relata indícios de pagamento de propina a agentes do Legislativo, afastamento de vereadores contrários às mudanças e interferência direta na redação de projetos de lei. Parte das justificativas das propostas, segundo a ação, teria sido elaborada por agentes externos.

Licitação direcionada e prejuízo a famílias
A Promotoria sustenta que o grupo teve acesso prévio à minuta do edital da Concorrência Pública nº 013/FMAS/2022 e sugeriu alterações antes da publicação oficial. As quatro empresas vencedoras do certame teriam ligação direta ou indireta com os empresários investigados.

Após assumirem o serviço, as concessionárias teriam reduzido a qualidade das urnas funerárias gratuitas, cobrado por serviços indevidos em atendimentos sociais, elevado artificialmente os preços e deixado de emitir notas fiscais. O MPSC aponta que famílias chegaram a pagar entre R$ 2,3 mil e R$ 5 mil por serviços que deveriam ser gratuitos.

Também há indícios de ajuste entre as empresas para fixação de preços. Antes da licitação, os valores médios variavam entre R$ 3,8 mil e R$ 5,3 mil. Após a concentração do mercado, passaram a oscilar entre R$ 6,7 mil e R$ 7,5 mil, sem melhoria na qualidade dos serviços.

Outras ações em andamento
Além da ação de improbidade, tramitam outros dois processos relacionados à Operação Caronte. Uma ação penal segue no Tribunal de Justiça de Santa Catarina e apura crimes atribuídos aos envolvidos. Já uma ação civil pública resultou na suspensão das atividades das funerárias investigadas e no credenciamento de novas empresas para a prestação do serviço funerário em Criciúma.

Segundo o MPSC, as investigações seguem em andamento e buscam a responsabilização individual dos envolvidos e a reparação dos danos causados ao poder público e à população.

Continue Lendo
Clique para comentar

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Polícia

PM e proprietária de casa de shows ficam feridos em ataque a tiros em Içara; dois suspeitos morrem em confronto

Caso começou após discussão entre clientes e funcionários; três suspeitos foram localizados em Criciúma na manhã deste domingo

Publicado

em

Um Policial Militar e a proprietária de uma casa de shows ficaram feridos durante um ataque a tiros registrado na madrugada deste domingo (19), em Içara. Segundo a Polícia Militar, a ocorrência teve início após uma discussão entre clientes e funcionários do estabelecimento.

Como aconteceu o ataque

De acordo com o relato policial, um dos envolvidos na discussão deixou o local afirmando que retornaria armado. Minutos depois, os suspeitos voltaram em um veículo e efetuaram diversos disparos contra pessoas que estavam na entrada do estabelecimento. O caso é investigado como tentativa de homicídio.

O policial militar atingido estava de folga no local e foi socorrido por uma guarnição ao Hospital São Donato. A proprietária da casa de shows foi baleada na perna.

Segundo testemunhas, o policial reagiu à agressão. Após o fim dos disparos, a arma usada por ele foi recolhida por um amigo e entregue espontaneamente às equipes policiais, permanecendo apreendida para os procedimentos legais.

Buscas e desfecho

Após o ataque, os envolvidos fugiram do local. Equipes da Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Científica estiveram no local para os levantamentos e iniciaram as buscas pelos suspeitos.

Na manhã deste domingo, os três suspeitos identificados foram localizados em Criciúma. Um deles foi preso e encaminhado à Delegacia de Polícia. Os outros dois — apontados como participantes da ação, entre eles o suspeito de efetuar os disparos — entraram em confronto com policiais militares durante a abordagem, foram baleados e morreram no local.

A Polícia Civil segue investigando o caso para esclarecer a dinâmica completa do ataque.

Continue Lendo

Polícia

Motociclista morre após colisão com carro no Morro Estevão, em Criciúma

Vítima foi arremessada cerca de 50 metros após impacto e não resistiu aos ferimentos

Publicado

em

O motociclista Elizeu Pereira de Almeida, de 38 anos, morreu após um grave acidente de trânsito registrado na tarde deste sábado (18), no bairro Morro Estevão, em Criciúma.

Como aconteceu

A colisão entre a motocicleta e um carro ocorreu por volta das 12h30, na Rua Pedro Dal Toé. Com a força do impacto, Elizeu foi arremessado cerca de 50 metros e atingiu uma placa de sinalização.

A vítima chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

Continue Lendo

Polícia

Perícia digital leva à prisão de suspeito de furto qualificado no bairro Próspera, em Criciúma

Publicado

em

A Polícia Civil de Santa Catarina cumpriu, nesta terça-feira (15/07), um mandado de prisão preventiva contra um homem investigado pela prática de furto qualificado em Criciúma.

O crime ocorreu em outubro de 2025, no bairro Próspera, quando uma residência foi alvo de ação criminosa praticada por diversos agentes, mediante arrombamento. Na ocasião, foram subtraídos diversos equipamentos eletrônicos, entre eles televisores e um videogame, causando expressivos prejuízos à vítima.

Impressão digital foi decisiva para identificação

Durante a investigação, foi requisitado exame pericial no local dos fatos, especialmente em fechaduras, vidraças e demais superfícies manuseadas durante a execução do delito. A atuação da Polícia Científica possibilitou a coleta de impressões papiloscópicas, o que levou à identificação de uma impressão digital pertencente a um dos autores.

Após a identificação, a autoridade policial analisou os antecedentes do investigado e constatou tratar-se de um indivíduo com reiteração delitiva, inclusive beneficiado recentemente por liberdade condicional. Diante da gravidade dos fatos e dos elementos de prova produzidos no inquérito, foi representada a decretação da prisão preventiva, medida acolhida pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário.

O mandado foi cumprido por policiais civis da 1ª Delegacia de Polícia de Criciúma, com apoio de agentes da 2ª DP e da DPCO de Içara.

Perícia reafirma papel na elucidação de crimes

A Polícia Civil destacou a importância da preservação dos vestígios e da atuação integrada entre investigação policial e perícia oficial. Mesmo após meses da ocorrência, a identificação papiloscópica foi decisiva para a elucidação do crime.

O investigado foi encaminhado ao sistema prisional, onde permanece à disposição da Justiça.

Continue Lendo

Mais vistos